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Internacional

Na Venezuela, sanções dos EUA contribuíram para colapso econômico

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Alvo recentemente de ações militares dos Estados Unidos com objetivo de promover mudanças de poder a partir da retirada de Nicolás Maduro da presidência, a Venezuela também sofre há anos os efeitos de sanções econômicas impostas pelo governo norte-americano, chamadas de Medidas Coercitivas Unilaterais.  

Estudos apontam que cercos econômicos prolongados têm sido cada vez mais utilizados como arma de política externa para pressionar ou derrubar determinados governos. O roteiro se repete em outros países, como o Irã.  

Para entender como essas sanções fragilizam as economias e o tecido social desses países, a Agência Brasil conversou com especialistas e analisou estudos científicos e relatórios das Nações Unidas (ONU) sobre o tema. 

A economista e socióloga Juliane Furno, professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca que o objetivo das sanções é “asfixiar experiências políticas que fogem ao controle dos países imperialistas” , buscando gerar uma onda de descontentamento social que possa refletir em uma mudança de regime. 

Dona das maiores reservas de petróleo do planeta, a Venezuela é alvo de medidas econômicas dos Estados Unidos sob o argumento de proteção dos direitos humanos, defesa de democracia e combate ao narcotráfico. 

O embargo econômico 

O bloqueio financeiro e comercial contra a Venezuela obstruiu o financiamento da indústria petroleira; impôs restrições para o refinanciamento da dívida do país; dificultou as transações monetárias no mercado mundial; e congelou os ativos venezuelanos no exterior – ou os transferiram para o controle da oposição. 

O bloqueio de ativos da Venezuela também foi adotado por Portugal e Reino Unido. O Banco Central da Inglaterra confiscou 31 toneladas em ouro da Venezuela avaliados em US$ 1,2 bilhões. 

Washington colocou sob suspeita todas as transações vinculadas à Venezuela, o que levou ao bloqueio de canais financeiros com instituições de outras nações. 

Proibiu-se, ainda, o pagamento dos dividendos ao governo venezuelano provenientes da empresa Citgo, principal filial da estatal petroleira PdVSA no exterior. A Citgo foi liquidada pela justiça dos EUA, no final de 2025, para servir de ativo para os credores internacionais da Venezuela. A medida foi classificada por Caracas como “roubo”. 

A crise econômica da Venezuela 


Refugiados, Venezuelanos, Crise
REUTERS/Ricardo Moraes
Refugiados, Venezuelanos, Crise
REUTERS/Ricardo Moraes

Refugiados venezuelanos – Reuters/Ricardo Moraes/ Direitos Reservados

Na Venezuela, a recessão de 2013 a 2022 consumiu cerca de 75% do PIB, impulsionando a imigração de mais de 7,5 milhões de pessoas, o que representa cerca de 20% da população do país. 

Especialistas divergem em relação à responsabilidade dos governos chavistas e das sanções dos EUA para a crise do país sul-americano. 

Enquanto a recessão no país começou no segundo semestre de 2014, na esteira da crise dos preços do petróleo, as primeiras sanções abrangentes contra a Venezuela foram adotadas em agosto de 2017. Era o primeiro governo de Donald Trump, que restringiu o acesso da Venezuela ao mercado financeiro norte-americano. 

Novas sanções foram aplicadas aos comércios de ouro, minérios, petróleo e diesel, entre 2018 a 2020. Além disso, o governo norte-americano aplicou sanções para empresas de outros países que negociavam com a Venezuela, medida chamada de sanções secundárias. 

O economista venezuelano Francisco Rodríguez, professor da Universidade de Denver e crítico dos governos chavistas, reconhece o peso da gestão interna para a recessão do país antes de 2017. No entanto, pondera que o embargo econômico teve papel signficativo para o aprofundamento da crise. 

“Dizer que os venezuelanos estão fugindo unicamente por causa do regime de Maduro não passa de uma mera retórica que ignora a questão fundamental: o impacto das sanções nas condições de vida”, diz o especialista. 

As pesquisas do professor apresentam evidências que mostram “decisivamente que as sanções têm sido um dos principais fatores que contribuíram para o colapso econômico da Venezuela”, que levaram ao declínio dos padrões de vida observado desde 2012. 

Para Rodríguez, as sanções influenciaram os padrões migratórios ao interromperem as receitas do petróleo, que na Venezuela são usadas para financiar as importações de outros setores. 

“A reimposição de sanções de pressão máxima levaria a uma emigração estimada em 1 milhão de venezuelanos adicionais nos próximos cinco anos, em comparação com um cenário base sem sanções econômicas”, calculou o economista no final de 2024, diante da expectativa de endurecimento de sanções com o início do segundo governo Trump. 

O colapso da indústria petroleira 


Petróleo na Venezuela
FILE PHOTO: Crude oil drips from a valve at an oil well operated by Venezuela's state oil company PDVSA, in the oil rich Orinoco belt, near Morichal at the state of Monagas April 16, 2015. Picture taken on April 16, 2015. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins/File Photo
Petróleo na Venezuela
FILE PHOTO: Crude oil drips from a valve at an oil well operated by Venezuela's state oil company PDVSA, in the oil rich Orinoco belt, near Morichal at the state of Monagas April 16, 2015. Picture taken on April 16, 2015. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins/File Photo

Petróleo na Venezuela  – Reuters/Carlos Garcia Rawlins/Proibida reprodução

A economista Juliane Furno acredita que a crise venezuelana pode ser explicada por dois fatores principais: a queda do preço do barril de petróleo e as sanções internacionais. 

“A Venezuela é um país rentista petroleiro. Mais de 95% das receitas de exportação vêm do petróleo. Em 2014 o barril do petróleo amargou uma redução de quase 70%. Isso explica a queda do PIB e o início do desabastecimento”, afirmou. 

Furno acrescenta que as sanções agravaram o quadro: tanto as diretas, que dificultaram as importações, quanto as indiretas, que desestimularam outros país e empresas a fazerem negócio com a Venezuela. 

De uma retração do setor petrolífero de 11,5% experimentada em 2017, o índice aumentou para 30,1% em 2018 – primeiro ano após a imposição do bloqueio financeiro. A diferença implicou na perda de US$ 8,4 bilhões em divisas necessárias para a manutenção das importações do país, aponta pesquisa do economista Jeffrey Sachs. 

Inflação 

Publicada pelo Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (Cepr), sediado em Washington, o estudo considera que a perda bilionária de divisas e receitas em decorrência do bloqueio foi “muito provavelmente” o principal fator que empurrou a economia de sua inflação alta, quando as sanções de agosto de 2017 foram implementadas, para a hiperinflação que se seguiu.  

A hiperinflação na Venezuela se consolidou, oficialmente, em dezembro de 2017. 

A economista Juliane Furno acrescenta que a situação piorou ainda mais a partir de 2019, com o bloqueio das reservas em ouro e com a proibição da Venezuela acessar o principal mercado consumidor do seu petróleo, os Estados Unidos. 

O secretário de Segurança Nacional norte-americano, Jonh Bolton, calculou que a proibição do comércio do petróleo da Venezuela resultaria na perda de mais de US$ 11 bilhões em receitas de exportação em 2020. 

A professora da Uerj ressalta que a prova do peso das sanções é que a economia venezuelana começou a se recuperar a partir de 2022, no governo de Joe Biden, quando foram relaxadas algumas medidas.   

Segundo dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), ligada à ONU, a Venezuela apresentou um crescimento de 8,5% do PIB em 2024 e de 6,5% em 2025.

Estados Unidos 


Manifestante segura cartaz com a imagem da líder da oposição venezuelana María Corina Machado durante manifestação em Santiago
03/01/2026 REUTERS/Pablo Sanhueza
Manifestante segura cartaz com a imagem da líder da oposição venezuelana María Corina Machado durante manifestação em Santiago
03/01/2026 REUTERS/Pablo Sanhueza

Manifestante segura cartaz com a imagem da líder da oposição venezuelana María Corina Machado – REUTERS/Pablo Sanhueza/Proibida reprodução

As sanções econômicas contra a Venezuela são adotadas sob o argumento de pressionar Caracas para inibir violações de direitos humanos, levar a democracia para o país ou mesmo combater o narcotráfico internacional. 

A lei que viabilizou o atual bloqueio foi aprovada em dezembro de 2014, ainda sob o governo do democrata Barack Obama, cerca de um mês após o início de uma onda de protestos contra Nicolás Maduro conhecidos como “A Saída”, que pregavam a destituição do presidente. 

Em março de 2015, Obama edita a Ordem Executiva 1.692 que declara “emergência nacional” nos Estados Unidos sob a justificativa de que a Venezuela representa uma ameaça “incomum e extraordinária” para a segurança, autorizando o presidente a impor sanções econômicas contra o país sul-americano. 

 



Fonte: Agência Brasil

Internacional

Israel mantém bombardeios no Líbano após cessar-fogo

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A Força de Defesa de Israel (FDI) segue atacando o Líbano, incluindo a capital Beirute, nesta quarta-feira (8), mesmo após o acordo de cessar-fogo de duas semanas anunciado pelo Irã e os Estados Unidos (EUA).

A ofensiva de Israel contra o Líbano pode atrapalhar as negociações entre Teerã e Washington, marcadas para começar na próxima sexta-feira (10) em Islamabad, no Paquistão. Isso porque o Irã incluiu, entre os dez pontos para negociações, o fim da guerra em todas as frentes no Oriente Médio, incluindo o Líbano e a Faixa de Gaza.

Nesta manhã, Israel informou que fez “o maior ataque” em todo o Líbano desde o dia 2 de março atingindo mais de 100 alvos.

“Há pouco tempo, as Forças de Defesa de Israel concluíram ampla onda de ataques contra centros de comando e instalações militares do Hezbollah em Beirute, Beqaa e no sul do Líbano”, disse a FDI.

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A Agência Nacional de Notícias do Líbano informou que foram realizados diversos ataques em várias partes do país, especialmente no Sul.

“Um drone israelense atingiu um veículo em Qasmiyeh, com relatos de feridos, enquanto outro ataque de drone atingiu uma motocicleta em Kfardounin, também causando ferimentos. Aviões de guerra também realizaram um ataque à cidade de Sawaneh, no distrito de Marjayoun”, comunicou o veículo oficial do governo libanês.

O Ministério da Saúde do Líbano calcula que a atual fase do conflito, iniciada no dia 2 de março, matou mais de 1,5 mil pessoas, ferindo mais 4,8 mil. Israel ainda bombardeou 93 unidades de saúde libanesas e 57 profissionais de saúde foram assassinados. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas de suas residências no período.


Emergency responders work at the site of an Israeli strike, in Al-Mazraa in Beirut, Lebanon, April 8, 2026. REUTERS/Yara Nardi
Emergency responders work at the site of an Israeli strike, in Al-Mazraa in Beirut, Lebanon, April 8, 2026. REUTERS/Yara Nardi

Ataque israelense em Beirute, no Líbano – Foto REUTERS/Yara Nardi/proibida reprodução

Israel quer ocupar território libanês

O Chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, comunicou que Israel continuará atacando o Hezbollah. “Aproveitaremos todas as oportunidades operacionais. Não comprometeremos a segurança dos moradores do norte de Israel. Continuaremos atacando com determinação”, disse.

Israel prometeu ocupar o território do Líbano até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da atual fronteira entre os dois países, levando a denúncias de possível anexação definitiva do território, assim como Tel Aviv fez com as Colinas de Golã, da Síria.

Ocupado durante a guerra de 1967 por Israel, o território sírio foi, posteriormente, anexado por aprovação no Parlamento em Tel Aviv. Atualmente, a anexação é reconhecida pelo governo de Donald Trump, mas rejeitada pela maior parte da comunidade internacional.

Analistas consultados pela Agência Brasil informaram que o Hezbollah parece ter conseguido barrar o avanço do Exército de Israel com inúmeros ataques com drones e mísseis. O grupo chegou a anunciar que mais de 100 tanques israelenses foram destruídos.

Hezbollah

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o grupo libanês Hezbollah pediu que os habitantes das áreas despovoadas pela guerra não retornem imediatamente aos seus bairros e vilas antes do anúncio definitivo do cessar-fogo no Líbano.

“Este inimigo traiçoeiro e bárbaro, procurando escapar à imagem da sua derrota, poderá recorrer a tentativas traiçoeiras para criar a falsa impressão de ter alcançado uma vitória que não conseguiu obter no campo de batalha”, diz o comunicado.

O Hezbollah não tem reivindicado mais ataques contra as forças israelenses desde o anúncio do cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos.

Entenda

Os bombardeios de Israel contra o Líbano foram intensificados com o início da guerra no Irã, depois que o Hezbollah voltou a promover ataques contra Israel, no dia 2 de março. 

O Hezbollah alegou agir em retaliação aos ataques de Israel contra o Líbano nos últimos meses e em resposta ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

O conflito entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi criada em reação à invasão e ocupação de Israel no Líbano para perseguição dos grupos palestinos que buscavam refúgio no país vizinho.

Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar os israelenses do país. Ao longo dos anos, o grupo se torna um partido político com assentos no Parlamento e participação nos governos.

A atual fase do conflito entre Israel e o Hezbollah tem relação com a destruição da Faixa de Gaza a partir de 2023. O Hezbollah passou a lançar foguetes contra o norte de Israel em solidariedade aos palestinos e para desgastar a defesa israelense.

Em novembro de 2024, foi costurado um acordo de cessar fogo entre o grupo xiita e o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, depois que Israel conseguiu matar lideranças do Hezbollah.

Porém, Israel seguiu com ataques e bombardeios periódicos contra o Líbano, alegando atingir infraestrutura do Hezbollah, que evitava reagir até o início da guerra no Irã.

O Líbano ainda foi atacado pelo governo de Israel em 2006, 2009 e 2011.



Fonte: Agência Brasil

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Internacional

Trump recua e aceita suspender ataques ao Irã por duas semanas

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (7) que concordou em “suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas”. Não há uma posição oficial do Irã até o momento sobre cessar-fogo. 

Trump disse que conversou com líderes do Paquistão, que apresentou uma proposta de cessar-fogo de duas semanas na guerra contra o Irã.

“Com base em conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, e nas quais eles solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva sendo enviada esta noite para o Irã, e sujeito à República Islâmica do Irã concordar com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, eu concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas”, escreveu Trump nas mídias sociais.

“Esse será um CESSAR-FOGO de mão dupla”, disse Trump.

Segundo Trump, uma proposta de 10 pontos foi apresentada para um acordo e que “acredita que é uma base viável para negociar”.

Ameaça 

Mais cedo, Trump ameaçou acabar com “uma civilização inteira” hoje caso os iranianos não reabrissem o Estreito de Ormuz.

“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, anunciou, em mais uma ameaça de genocídio contra o Irã.

Questionado nessa segunda-feira (6) por um jornalista nos jardins da Casa Branca sobre a ameaça ser um crime de guerra, o presidente Donald Trump ignorou a pergunta.

Convenções internacionais, como a Convenção de Genebra ou a Convenção sobre Prevenção do Genocídio, proíbem o ataque contra infraestruturas civis ou ações que causem danos a civis, exigindo que os Estados usem ainda a proporcionalidade em suas ações militares.

Estima-se que a civilização persa, da qual o Irã é herdeiro, tenha entre 2,5 mil e 3 mil anos de história, com inúmeras contribuições culturais, filosóficas e científicas deixadas para toda a humanidade.

* Com informações da Reuters



Fonte: Agência Brasil

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Internacional

Rússia e China vetam resolução sobre Ormuz em Conselho de Segurança

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Com vetos dos membros permanentes China e Rússia, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) rejeitou projeto de resolução apresentado pelo Bahrein, em nome dos países do Golfo Pérsico, que condenava o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.

O texto apresentado criticava apenas as retaliações iranianas, sem citar as agressões dos Estados Unidos (EUA) e Israel, defendendo a soberania dos países do Golfo, sem citar a integridade territorial ou independência política do Irã.

O projeto ainda afirmava o direito de os “Estados-Membros, em conformidade com o direito internacional, de defenderem suas embarcações contra ataques e provocações, incluindo aquelas que prejudicam os direitos e liberdades de navegação”. 

Onze membros do Conselho votaram a favor do projeto de resolução, são eles: Bahrein, EUA, Reino Unido, França, Dinamarca, Grécia, Panamá, Libéria, Letônia e Congo. A Colômbia e o Paquistão se abstiveram.

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Ao defender a aprovação do texto, o Bahein – que estava representando Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia – afirmou que o Irã não teria o direito de fechar o Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do petróleo e gás mundiais.

“A não adoção desta resolução envia um sinal errado ao mundo, aos povos do mundo — um sinal de que as ameaças às vias navegáveis ​​internacionais podem passar sem qualquer ação decisiva da comunidade internacional”, disse o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani.

Segundo o direito internacional, o uso da força só pode ser exercido pelos Estados se aprovado no Conselho de Segurança da ONU ou em casos de autodefesa.


Mapa Estreito de Ormuz
Mapa Estreito de Ormuz

Arte/EBC

Irã

O Irã fechou o Estreito de Ormuz em retaliação à agressão sofrida por Israel e EUA, prometendo manter o canal fechado para os países hostis à República Islâmica. 

O embaixador de Teerã, Amir Saeid Iravani, disse que o objetivo do projeto do Bahrein é “punir a vítima por defender sua soberania e seus interesses nacionais vitais no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo que oferece cobertura política e jurídica para futuros atos ilegais dos agressores”.

Iravani acrescentou que, na essência, esse foi um projeto dos EUA e que Washington e Tel-Aviv devem assumir a “total responsabilidade” pelo sofrimento que infringiram, assegurando que “embarcações não hostis” poderão passar livremente pelo Estreito.

Rússia


Russian ambassador to the United Nations Vassily Nebenzia addresses delegates during a meeting of the United Nations Security Council, following U.S attack on Iran's nuclear sites, at UN headquarters in New York City, U.S., June 22, 2025. REUTERS/Eduardo Munoz
Russian ambassador to the United Nations Vassily Nebenzia addresses delegates during a meeting of the United Nations Security Council, following U.S attack on Iran's nuclear sites, at UN headquarters in New York City, U.S., June 22, 2025. REUTERS/Eduardo Munoz

Embaixador da Rússia Vassily Nebenzia- Arquivo/REUTERS/Eduardo Munoz/Proibida reprodução

O embaixador russo Vassily Nebenzia afirmou que o texto apresentado ao Conselho de Segurança tem abordagem fundamentalmente “errônea e perigosa para a situação na região”.

Para o diplomata de Moscou, o texto do Bahrein apresenta o Irã como única fonte de tensões regionais, sem mencionar os ataques ilegais dos EUA e de Israel, lembrando que a “interpretação vaga e abrangente” da Resolução 1973 de 2011 prejudicou a Líbia.

Naquele ano, o Conselho autorizou uso da força contra o governo líbio de Muammar Gaddafi sob a alegação de “proteger civis”, levando a sua queda. Desde então, a Líbia não tem um governo unificado e o controle territorial é fragmentado por grupos muitas vezes rivais.  

Nebenzia acrescentou que Russa e China “em breve” apresentarão uma resolução alternativa. “Nosso projeto será conciso, equitativo e equilibrado”, afirmou.

China

Por sua vez, a China destacou que o projeto de resolução não conseguiu captar as “causas profundas e o quadro completo do conflito de forma abrangente e equilibrada”, disse o embaixador Fu Cong.

O diplomata chinês acrescentou que o Conselho de Segurança não deve se precipitar na votação de um projeto de resolução “quando sérias preocupações foram levantadas por seus membros”.

Fu Cong disse que a China tem o compromisso de abordar a situação de forma adequada, combatendo suas causas profundas.

“Esta guerra nunca deveria ter acontecido”, acrescentou, culpando os EUA e Israel como instigadores e instando-os a cessar com as “ações militares ilegais”. Fu Cong também pediu ao Irã que interrompa seus ataques.

EUA

O representante dos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU destacou que o Estreito de Ormuz é vital demais para o mundo para ser usado “como refém, bloqueado ou instrumentalizado por qualquer Estado”, disse o embaixador Michael Waltz.

Os EUA se solidarizam com os povos do Golfo e acusaram a China e a Russa de se alinharem a um “regime que busca intimidar o Golfo para subjugá-lo”.

Após a agressão dos EUA e de Israel contra o Irã, o país persa passou a retaliar bases militares dos norte-americanos e infraestruturas energéticas sediadas nos países do Golfo. Teerã justifica que essas nações fazem parte da guerra ao permitirem que os agressores usem seu território e espaço aéreo para ataques contra o Irã.



Fonte: Agência Brasil

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