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A fumaça não nos deixa ver o céu, nem respirar direito

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Numa pesquisa rápida, identifico o que estou respirando e compreendo a razão do meu mal-estar: partículas microscópicas de poeira, fuligem, fumaça e outros materiais que podem causar problemas respiratórios

Daniel Teixeira/Estadão ConteúdoSão Paulo teve tarde de baixa umidade,
‘Da janela, observo a névoa amarelada, suja, que há semanas persiste’

Em noites insones, leio as manchetes dos jornais que encontram-se disponíveis, enquanto aqueles que puderam descansar, ainda dormem. Atualizo as mensagens dos grupos de ativismo social e ambiental dos quais sou membro. O gentil e sereno Ὕπνος (Hypnos, sono), que adormece a todos os mortais, parece ter-me esquecido. Encontro consolo na companhia de sua mãe, Νύξ (Nyx, a noite) e de seu pai, Ἔρεβος (Erebos, a escuridão). Da varanda olho o céu que, comumente estrelado, está encoberto de uma névoa, cuja cor sem nome, impede a presença do brilho das estrelas.

“É a fumaça, não consigo ver o céu”, penso. Pela manhã, cenário idêntico. Da janela, observo a névoa amarelada, suja, que há semanas persiste. Na rua, pessoas tossem, olhos lacrimejam, muitas usam máscara. Ouvi de alguém, que o pôr do sol alaranjado, estava lindo. Tive vontade de pular em seu pescoço e, entre um tabefe e outro, fazê-lo entender que, se continuar “alaranjado, lindo assim”, em alguns dias ele ou alguém próximo, será internado com alguma doença respiratória. Enquanto escrevo, leio que a cidade onde moro, aquela cuja garoa inspirou canções como São Paulo da Garoa (Tonico e Tinoco) e Êh São Paulo (Alvarenga e Ranchinho) apresenta umidade inferior ao deserto do Saara.

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Em agosto de 2023, estudando documentos produzidos por grupos de especialista da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), escrevi a coluna “Você está preparado para enfrentar o verão de 2024 com temperaturas superiores aos 50 °C na sua cidade?” anunciando que temperaturas dignas de Ἥφαιστος (Hefesto, deus do fogo) fariam parte de nossas vidas. Leio, em redes sociais, que a ministra Marina Silva participou 2° Seminário Desafios da Federação com o tema “Caminhos para a Construção do Federalismo Climático no Brasil”, um evento importante que pretende levar para todas as esferas de governo. Interessante.

É possível que nos próximos anos, um relatório bacana tenha sido produzido e que servirá para fundamentar, de alguma forma, os impactos que, a ausência de projetos de ações conjuntas e imediatas dos entes federativos para barrar os incêndios criminosos, causaram na vida de todo o planeta terra. É claro que ela não preside o país. Saímos de um governo cuja presidência era regida por um nefasto ambiental, para a de outro que, na qualidade de viajante contumaz, vive da lembrança de políticas ambientais de governos anteriores, quando, o Brasil, liderava a partir de políticas e ações pautadas mais em fatos e, menos, em falácias.

Na coluna escrita em novembro de 2022 intitulada “Lembram-se do ‘blá, blá, blá’ da jovem ativista Greta Thunberg?”, comentei sobre a atuação lenta dos líderes internacionais nas ações relacionadas à redução do aquecimento global. Aparentemente, o jargão bla´, blá, blá, instalou-se nas três esferas de governo confortavelmente.

Nos grupos de ativismo ambiental, acompanho as batalhas diárias daqueles que, como eu, não conseguem convencer os governos estaduais e municipais sobre a importância de manter áreas vegetadas e permeáveis no meio da cidade. Por um lado, em ano eleitoral, o asfalto é recapeado mais uma vez, guias são pintadas de branco e postes recebem nova pintura. Árvores dão lugar a calçadas com tapumes e betoneiras, transformando espaços públicos em depósitos particulares a céu aberto de empreiteiras, numa demonstração de absoluto descaso.

Por outro lado, conscientes da urgência climática, pessoas comuns criam corredores ecológicos com atuação simples, embora trabalhosa: compram-se mudas de árvores e as plantam em calçadas com o objetivo de conectar áreas arborizadas existentes em praças, parques e canteiros viários, formando uma trama verde que visa melhorar a qualidade de vida e a saúde de todos.

Reduzir a temperatura nas ruas com a sombra futura das árvores, captar a água da chuva mantendo o solo permeável para infiltração, ampliar a captura de carbono com o plantio de novas árvores, melhorar a umidade do ar aproveitando o processo de evapotranspiração das plantas (algo que aprendemos na escola, quando crianças) e fornecer alimento para os passarinhos, aqueles que, felizes em sua algazarra, insistem em nos acordar com o primeiro raio de sol, atualmente encoberto por fuligem, para se alimentar das espécies que produzem frutinhos da região.  Especialmente escolhidas para eles.

Numa pesquisa rápida, identifico o que estou respirando e compreendo a razão do meu mal-estar: material particulado (partículas microscópicas de poeira, fuligem, fumaça e outros materiais que, ao serem inaladas, podem causar problemas respiratórios e cardiovasculares). As principais fontes desses materiais são veículos a diesel, indústrias, queima de biomassa e construção civil. Há também o ozônio, um gás formado pela reação de outros poluentes na presença da luz solar, que causa irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar doenças respiratórias.

O dióxido de nitrogênio, emitido principalmente por veículos a diesel e algumas indústrias, contribui para a formação de ozônio e material particulado, além de irritar as vias respiratórias. O monóxido de carbono, gás incolor e inodoro produzido pela queima incompleta de combustíveis fósseis, pode ser fatal em altas concentrações. E há ainda o dióxido de enxofre, emitido pela queima de combustíveis fósseis e alguns processos industriais, que contribui para a formação de chuva ácida e pode causar problemas respiratórios. Por fim, os compostos orgânicos voláteis, substâncias químicas presentes em diversos produtos como tintas, solventes e combustíveis, contribuem para a formação de ozônio e podem ter efeitos tóxicos à saúde.

Não é desesperador?

Somados a esses poluentes, as queimadas e os incêndios florestais, que emitem grandes quantidades de material particulado, gases tóxicos e gases de efeito estufa, reduziram a umidade do ar, ampliaram a estiagem e provocaram secas. Nem Ἀχελῷος (Aqueloo, deus grego que personifica rios e riachos que fluem pela Terra) consegue entender a ganância de empresas e a indolência de governos. Com a floresta amazônica, o Pantanal e o Cerrado em chamas, estamos objetivamente, matando o deus grego e caminhando para um país em que a fertilidade e à abundância proporcionadas pelas água doce deixarão de existir.

Sinto-me imersa em uma distopia ambiental, na qual governos e empresas optam por manter um processo econômico típico dos anos de desenvolvimento desenfreado, em que biomas inteiros são degradados e seres humanos são destruídos, servindo aos interesses do capital e ignorando as consequências devastadoras para o planeta e as futuras gerações. O Nevoeiro de Stephen King e as imagens de Mad Max, de George Miller, McCarthy e Lathouris, estão se tornando realidade em cerca de 60% do território brasileiro. E não para por aí: nos próximos dias, exportaremos a fumaça proveniente de terras brasileiras para nossos vizinhos uruguaios e argentinos.

Θάνατος (Thánatos, a morte), irmão do sono, parece ter despertado, assustado, com a ampliação do número de mortes não naturais, causadas pela névoa sufocante que vem rondando as ruas e os pulmões daqueles que ousam respirar. Embora responsável por conduzir as almas dos mortos ao submundo, reino de Hades, não preparou-se para mortes previstas por cientistas há décadas. Enquanto isso, empresas e governos, cegos para a saúde da população que os elegeu como seus representantes, mantém-se gananciosos e indiferentes tecendo cuidadosamente, a mortalha que vestiremos num futuro breve.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.





Fonte: Jovem Pan

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ENQUETE – MORNING SHOW – Você toma precauções no trânsito contra assaltos?

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Você toma precauções no trânsito contra assaltos?

Você deve selecionar uma alternativa.

Sua resposta foi registrada.

*As enquetes do Grupo de Comunicação Jovem Pan não possuem caráter científico e só refletem a opinião de sua audiência.



Fonte: Jovem Pan

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‘Estamos próximos de uma guerra quase mundial’, alerta papa Francisco

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O pontífice também disse orar ‘para que eles temam o julgamento da consciência, da história e de Deus, e convertam seus olhos e corações, sempre colocando o bem comum em primeiro lugar’

GIUSEPPE LAMI/EFE/EPAPapa Francisco preside Santa Missa da Vigília Pascal na Noite Santa de Páscoa na Basílica de São Pedro
O papa acrescentou que ‘a Europa precisa da Bélgica para levar adiante o caminho da paz e da fraternidade entre os povos que a compõem’

O papa Francisco advertiu nesta sexta-feira (27) que “estamos próximos de uma quase guerra mundial” e espera que “aqueles que governam saibam assumir sua responsabilidade, o risco e a honra da paz”, durante seu discurso a autoridades belgas no Castelo de Laeken, em seu primeiro ato oficial na Bélgica. “Rezo para que os líderes das nações, ao olharem para a Bélgica e sua história, aprendam com ela e, assim, salvem seu povo de catástrofes intermináveis e luto incontável. Rezo para que aqueles que governam saibam assumir sua responsabilidade, o risco e a honra da paz, e saibam afastar o perigo, a ignomínia e o absurdo da guerra”, afirmou.

O pontífice também disse orar “para que eles temam o julgamento da consciência, da história e de Deus, e convertam seus olhos e corações, sempre colocando o bem comum em primeiro lugar”. Diante do rei belga Philippe e da rainha Mathilde e do primeiro-ministro em exercício, Alexander De Croo, com quem se reuniu nesta sexta-feira, o papa desejou que a Bélgica seja “uma ponte, portanto, indispensável para construir a paz e repudiar a guerra”. “Essa é a dimensão da pequena Bélgica. Você entende a necessidade da Europa de se lembrar de sua história, composta de povos e culturas, de catedrais e universidades, das conquistas da engenhosidade humana, mas também de tantas guerras e de um desejo de dominar que às vezes se transformou em colonialismo e exploração”, lembrou.

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O papa acrescentou que “a Europa precisa da Bélgica para levar adiante o caminho da paz e da fraternidade entre os povos que a compõem”, especialmente “se as fronteiras e os tratados começarem a ser desrespeitados, e o direito de criar leis for deixado às armas, subvertendo a lei existente, a caixa de Pandora será aberta e todos os ventos começarão a soprar violentamente, batendo contra a casa e ameaçando destruí-la”. O líder religioso pediu “ações culturais, sociais e políticas constantes e oportunas que sejam corajosas e prudentes e que excluam um futuro no qual a ideia e a prática da guerra, com suas consequências catastróficas, sejam novamente uma opção viável”.

*Com informações da EFE
Publicado por Marcelo Bamonte





Fonte: Jovem Pan

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Corpo de Anic, advogada que desapareceu em Petrópolis, é encontrado concretado em quintal

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Vítima foi encontrada em um muro no quintal da casa de Lourival Correa Netto Fadiga, que trabalhava para a família da vítima e confessou ter cometido o crime

Quase sete meses após o seu desaparecimento, o corpo da advogada Anic de Almeida Peixoto Herdy foi encontrado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na quarta-feira (25) em Petrópolis, na região serrana do Rio. O corpo de Anic foi identificado por meio de exame odontológico, feito por peritos do Instituto Médico Legal do Rio e cujo resultado foi divulgado pela Polícia Civil nesta quinta-feira (26). Ele estava concretado em um muro no quintal da casa de Lourival Correa Netto Fadiga, que trabalhava para a família da vítima e confessou ter cometido o crime.

Em entrevista à TV Record, a advogada de Fadiga, Flávia Froes, afirmou que a morte de Anic foi planejada em conjunto pelo seu cliente e pelo marido da vítima, Benjamin Cordeiro Herdy, e que o sequestro era uma forma de encobrir o homicídio. O motivo do crime seria uma questão familiar, disse a advogada. A defesa de Benjamin Herdy nega que ele tenha participado do crime e classificou a confissão de Fadiga como “um ato de desespero e crueldade”.

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Anic tinha 54 anos, era advogada, estudante de Psicologia e casada com Benjamin Cordeiro Herdy, de 78 anos, herdeiro de uma família que foi proprietária de um importante grupo educacional no Rio. O casal vivia em Petrópolis, na serra fluminense. Ela foi vista pela última vez em 29 de fevereiro saindo de um shopping de Petrópolis. Câmeras de vigilância do estabelecimento mostraram que ela parou o carro no estacionamento, trocou mensagens por celular e, minutos depois, saiu do centro comercial, atravessando uma rua. No mesmo dia, Benjamin recebeu mensagem no celular informando que Anic havia sido sequestrada. As mensagens, enviadas do próprio celular da advogada, também traziam ameaças contra ela. Os sequestradores pediram R$ 4,6 milhões como resgate e orientaram o marido a não avisar a polícia.

O caso só foi informado à polícia 14 dias depois, por uma filha, e passou a ser investigado pela 105ª DP (Petrópolis). Àquela altura, o montante pedido pelos supostos sequestradores já havia sido pago e um áudio de conversa de telefone entre Benjamin e Lourival foi gravado pela filha. Quatro suspeitos foram presos, incluindo Lourival, que seria um homem de confiança da família e o mandante do crime. Ele se apresentava como policial federal, mas, segundo as investigações, nunca integrou os quadros da corporação. Além dele, um casal de filhos e uma mulher com quem ele teria um caso também foram presos. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apresentou denúncia contra os suspeitos. Os investigadores tiveram acesso aos telefones de todos os envolvidos e cruzaram dados de localização do dia do sequestro e do pagamento dos resgates.

Segundo mostrou o Fantástico, da TV Globo, foi possível comprovar que Lourival não esteve em uma favela para supostamente pagar os criminosos – mas sim em uma concessionária na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onde comprou uma caminhonete avaliada em R$ 500 mil e uma moto. Também adquiriu 950 aparelhos celulares, que foram levados a uma loja da família. Os filhos estiveram na concessionária com o pai, e a mulher chegou a viajar a Foz do Iguaçu, no Paraná, para resolver pendências relativas à aquisição dos celulares. Os três também teriam ajudado a ocultar os valores do resgate.

*Com informações do Estadão Conteúdo
Publicado por Marcelo Bamonte





Fonte: Jovem Pan

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