Neste sábado (6), ao menos 16 pessoas foram mortas num ataque de Israel a uma escola que abrigava deslocados no campo de refugiados de Nuseirat
Jaafar ASHTIYEH/AFP Pelo menos 87 pessoas morreram em Gaza nas últimas 48 horas, segundo o Ministério da Saúde do Hamas
Israel bombardeou neste sábado (6) vários setores da Faixa de Gaza, incluindo um ataque que deixou 16 mortos, segundo autoridades do Hamas, em uma escola que abrigava deslocados pela guerra, às vésperas de novas negociações indiretas no Catar visando um cessar-fogo. A poucos dias da visita do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu aos Estados Unidos, em 24 de julho, foram retomados os contatos diplomáticos em busca de um cessar-fogo e da libertação de reféns sequestrados há nove meses pelo movimento islamista palestino.
Israel afirmou na sexta-feira (5) que “diferenças” persistem nas negociações indiretas, mediadas por Catar, EUA e Egito com o Hamas , mas que enviará uma delegação a Doha na próxima semana para “continuar os diálogos”. O chefe do Mossad (serviços de inteligência de Israel), David Barnea, teve reuniões na capital catari na sexta-feira, depois de o Hamas apresentar novas “ideias” para alcançar um cessar-fogo. Em nove meses de guerra, os combates em Gaza só foram interrompidos durante uma pausa de uma semana no fim de novembro.
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As mediações têm esbarrado desde então nas exigências incompatíveis entre os dois lados. Netanyahu afirma que o conflito continuará até “a destruição do Hamas e a libertação de todos os reféns”. Por outro lado, o movimento islamista, que governa Gaza desde 2007, exige um cessar-fogo permanente e a retirada total das tropas israelenses do território palestino.
Bombardeio de escola
Pelo menos 87 pessoas morreram em Gaza nas últimas 48 horas, segundo o Ministério da Saúde do Hamas. Os bombardeios israelenses atingiram o norte, centro e sul do enclave. O órgão informou neste sábado que 16 pessoas foram mortas no bombardeio israelense de uma escola que abrigava deslocados no campo de refugiados de Nuseirat, no centro do território.
Israel disse que sua aviação havia atacado “vários terroristas” no “setor da escola Al Jauni” de Nuseirat, gerida pela ONU. “Este local servia como esconderijo e infraestrutura operacional de onde eram realizados ataques contra soldados”, declarou o Exército israelense.
O Ministério da Saúde do Hamas denunciou um “massacre abominável” na escola de Nuseirat, acrescentando que outras 50 pessoas ficaram feridas e foram levadas ao Hospital dos Mártires de Al Aqsa. De acordo com o gabinete de imprensa do Hamas, cerca de 7.000 deslocados estavam nessas instalações. Antes disso, socorristas haviam relatado 10 mortos, incluindo três jornalistas locais, em um ataque aéreo contra uma casa no campo de refugiados de Nuseirat. Outro jornalista morreu na Cidade de Gaza, no centro da Faixa, segundo o gabinete de imprensa do Hamas.
O conflito começou em 7 de outubro, quando milicianos islamistas mataram 1.195 pessoas, em sua maioria civis, e sequestraram 251 no sul de Israel, segundo levantamento feito com base em dados oficiais israelenses. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva no território palestino que já deixou 38.098 mortos, também em sua maioria civis, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza. A ONU alertou para as condições “desastrosas” em que vivem os 2,4 milhões de habitantes da Faixa, sem água nem comida devido ao cerco imposto por Israel. Além disso, o conflito forçou o deslocamento de 80% da população.
Extensão do conflito
Os combates não deram trégua no bairro de Shujaiyia, no leste da Cidade de Gaza, onde as tropas israelenses realizam uma operação terrestre desde 27 de junho. O Exército israelense afirmou ter eliminado “membros terroristas do Hamas” e destruído “armas e infraestruturas”, incluindo túneis, do movimento palestino, que acusa de “querer restabelecer uma base” no bairro.
Em Rafah, na fronteira com o Egito, no sul da Faixa, o Exército disse ter eliminado “células terroristas” e destruído “vários túneis” do Hamas. A Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA) afirmou que dois de seus funcionários morreram em Al Bureij, no centro, sem fornecer mais detalhes.
A comunidade internacional se preocupa com o risco de que o conflito em Gaza se estenda à fronteira norte de Israel, onde os duelos de artilharia entre o Exército israelense e o Hezbollah libanês são frequentes. Um “responsável local” do movimento apoiado pelo Irã e aliado do Hamas foi morto em um ataque de drone israelense contra um veículo perto de Baalbek, no leste do Líbano, a cerca de 100 km da fronteira, de acordo com uma fonte próxima ao grupo.
O Hezbollah, que abriu uma frente contra Israel em apoio ao Hamas, anunciou neste sábado que lançou “drones explosivos contra uma instalação militar” em Beit Hillel, no norte de Israel. O Exército israelense, por sua vez, informou que interceptou “um alvo aéreo suspeito” e relatou a queda de “artefatos hostis” nessa localidade. Também indicou ter realizado bombardeios contra “alvos terroristas” no sul do Líbano.
Uma plataforma digital criada pelo Banco do Brasil (BB) está ajudando prefeituras a reduzir o desperdício de alimentos em escolas públicas. Chamada de BB Alimentação Escolar, a solução usa tecnologia para melhorar o planejamento e o controle da merenda oferecida a estudantes da rede pública.
Desenvolvida em parceria com a Lemobs, empresa que integra o Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a plataforma reúne informações sobre consumo, aceitação das refeições e desperdício. Com base nesses dados, gestores conseguem ajustar cardápios, quantidades e compras, evitando excessos e melhorando a qualidade da alimentação.
O sistema também traz painéis de acompanhamento e ferramentas que auxiliam na tomada de decisão, tornando a gestão mais eficiente e transparente.
Resultados iniciais
Os primeiros testes foram feitos em 15 municípios. Em Belém, onde a solução começou em cinco escolas, os resultados apareceram em poucos meses:
72% menos desperdício de alimentos;
7 toneladas de comida preservadas;
cerca de 25 mil refeições aproveitadas;
economia de aproximadamente R$ 200 mil;
redução de 10 toneladas de emissão de carbono;
2,4 mil alunos beneficiados;
88% de aprovação das refeições.
Impacto nas contas públicas
O planejamento mais preciso evita compras desnecessárias e reduz perdas, gerando economia. Dessa forma, os recursos públicos são utilizados de forma mais eficiente.
A expectativa é que, se adotada em toda a rede de ensino de Belém, a ferramenta possa evitar o desperdício de cerca de 220 toneladas de alimentos por ano e gerar economia superior a R$ 1,2 milhão, beneficiando milhares de estudantes.
Expansão e importância
A solução já está sendo utilizada em outras cidades, como Natal e Valparaíso de Goiás, o que mostra o potencial de expansão para diferentes regiões do país.
Alinhada ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, a iniciativa busca melhorar a qualidade da merenda, reduzir desperdícios e fortalecer a gestão pública, combinando tecnologia, economia e impacto social positivo.
Lemobs
A Lemobs é uma empresa brasileira de tecnologia que desenvolve soluções digitais para ajudar governos, principalmente prefeituras, a melhorar a gestão pública. A empresa faz parte do ecossistema de inovação do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Criada com foco em desenvolver tecnologias para “cidades inteligentes”, a empresa atua para modernizar administrações locais, desde a coleta de lixo até a alimentação escolar.
Professores, pais de alunos, sindicatos e parlamentares fizeram neste sábado (18), na capital paulista, um ato contra a utilização de uma escola infantil municipal como cenário para a produção de um filme. A obra, da produtora Brasil Paralelo, difama a educação pública e o educador Paulo Freire, patrono da Educação Brasileira.
A manifestação, uma aula pública, ocorreu na Praça Roosevelt, em frente à Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Patrícia Galvão (Pagu), onde a produtora gravou imagens para o filme Pedagogia do Abandono, ainda não lançado.
A produtora produz conteúdo para a extrema-direita e já teve parte de seus colaboradores tornados réus em razão da produção de outro filme, A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha. A Justiça do Ceará aceitou denúncia do Ministério Público do estado e tornou dois colaboradores da produtora réus por suspeita de participação em uma campanha de ódio contra Maria da Penha, símbolo da luta contra a violência doméstica.
“A gente está aqui para dizer que Paulo Freire está presente. Ele está presente nas nossas escolas, nos nossos pensamentos, nos nossos estudos, e não só na EMEI Patrícia Galvão. Ele está presente na cidade toda, no Brasil a fora e fora do Brasil inclusive”, disse a diretora da Emei Patrícia Galvão, Sandra Regina Bouças.
Sandra não deu entrevista à imprensa, mas, em uma carta publicada em suas redes sociais, questionou a produção que utilizou imagens internas da escola. As gravações foram autorizadas pela prefeitura de São Paulo.
“Identificamos que se trata de um projeto para destruir a educação pública, bem como a imagem de Paulo Freire com identificações muito equivocadas. Será que há, nesta proposição, uma tentativa de contribuir com as ideias de que a terceirização/privatização da Educação Infantil seria a solução para uma educação de qualidade?”.
Na carta, a diretora afirma que soube apenas na véspera das gravações que a produtora seria a Brasil Paralelo. “Na noite anterior à data marcada para a agravação, fomos surpreendidas por um termo de anuência em nome da Brasil Paralelo”, contou.”Era a produtora responsável por vídeos de caráter marcadamente ideológico, em que diversas produções têm por objetivo descaracterizar e objetificar o ensino público pejorativamente”, completou.
A professora da Faculdade de Educação da USP (FEUSP) e educadora popular Denise Carreira afirmou que a produção pretende enfraquecer políticas públicas de cunho social e racial e a agenda de gênero.
““Precisamos estar atentas contra esse absurdo. E defender a escola democrática, a escola que promova uma educação transformadora baseada no pensamento, na trajetória, na ação de Paulo Freire”, acrescentou.
Eduarda Lins, mãe de uma das alunas da escola, fez elogios aos funcionários e criticou a produtora e a prefeitura. “Quando a gente descobre que a nossa prefeitura está disponibilizando um espaço público para uma empresa privada com fins, no mínimo, obscuros, que inclusive está sendo investigada pelo MP, dói no nosso coração”, disse.
Outro lado
A Spcine informou que recebeu o pedido para gravação e, após análise técnica da SP Film Commission, responsável por receber, processar e encaminhar pedidos de filmagem, autorizou as gravações.
“O procedimento é padrão e foi o mesmo adotado em todas as outras 253 solicitações feitas ao município para essa finalidade até o momento em 2026. Somente no ano passado, foram autorizadas mais de mil gravações”, informou o órgão em nota. A Spcine ressaltou, ainda que a checagem de aspectos legais, como uso de imagem e participação de menores, é de inteira responsabilidade dos produtores.
A Agência Brasil procurou a produtora Brasil Paralelo, mas ainda não recebeu resposta.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) anunciou que publicará ainda em abril a chamada pública do novo Programa de Capacitação Institucional (PCI), modalidade de bolsas direcionada a pesquisadores das 16 unidades de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O ciclo da chamada será de 4 anos, com previsão de R$ 120 milhões oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
A reestruturação do PCI inclui um reajuste médio de 30%, elevando o piso para ao menos R$ 4 mil. A mudança mais importante está na forma de concorrência: as edições anteriores vinculavam as bolsas às instituições, que as distribuíam internamente. Essa edição prevê um regime de ampla concorrência baseado em projetos, que serão propostos pelos servidores e poderão receber até R$ 1,5 milhão, sendo até 10% deste valor para custeio, como material de consumo, serviços de terceiros, passagens e diárias.
Para este ciclo, uma mesma instituição passa a poder abrigar vários projetos de pesquisa simultâneos, submetidos por proponentes distintos e validados institucionalmente.
O processo de prestação de contas será anual. Os bolsistas passarão a ter, ainda, permissão explícita para atuar em empresas de base tecnológica (startups) instaladas em ambientes de inovação, como incubadoras e parques tecnológicos.
Historicamente o programa contempla desde o nível técnico até o de pós-doutorado e é responsável por agregar recursos humanos temporários às instituições.
O CNPq irá realizar um webinário explicativo para tirar dúvidas sobre as novas regras e o preenchimento de propostas na Plataforma Integrada Carlos Chagas, após o lançamento do edital.