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Internacional

Conheça as relações Brasil-Angola: da escravidão ao petróleo e ao agro

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Boa parte da população brasileira é descendente de africanos que viveram no território que hoje se conhece como Angola. Essa região da África foi a principal fonte de mão de obra escrava do Brasil, que foi a nação que mais recebeu trabalhadores africanos escravizados do mundo.

Dos cerca de 4,8 milhões de escravizados que desembarcaram no país em quatro séculos de escravidão, 3,8 milhões vieram da região centro-ocidental do continente, chamada de Congo-Angola, segundo dados da Slave Voyages.

Essa relação é interrompida com o fim do tráfico negreiro. A depender do período, o Brasil se aproxima ou se afasta de Angola, mas tende a manter uma pauta comercial residual com o país. Neste terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil tenta uma reaproximação para diversificar as relações comerciais para além do petróleo e do agronegócio.

A ligação entre Brasil e Angola no período colonial era tão intensa que, quando Dom Pedro I declarou independência, a elite comercial que vivia em Luanda e Benguela, cidades portuárias controlada pelos portugueses, passou a defender a anexação de Angola ao Brasil recém-independente.

Anexação de Angola

Segundo o professor de história da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Gilberto da Silva Guizelin, os senhores de escravos de Luanda e Benguela solicitaram a anexação com o Brasil.


brasília (DF), 06/06/2025  -   Professor de história da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Gilberto da Silva Guizelin. Foto Arquivo Pessoa
brasília (DF), 06/06/2025  -   Professor de história da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Gilberto da Silva Guizelin. Foto Arquivo Pessoa

Professor de história da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Gilberto da Silva Guizelin – Foto: Arquivo Pessoal

“Essa elite econômica vai assinar uma petição pedindo essa anexação. Os deputados eleitos por Angola em 1822 para o Parlamento português, como não havia ligação direta entre Angola e Portugal, vão parar no Brasil e se recusam a seguir viagem para Lisboa para defender essa anexação”, contou o especialista que estuda as relações Brasil-Angola.

Guizelin avalia que a proposta teve apoio do governo brasileiro pois a petição dos angolanos foi publicada no jornal oficial da época. Porém, o projeto foi inviabilizado pela oposição de Portugal e da Inglaterra e por causa das dificuldades econômicas e militares do governo recém-independente, que ainda lutava para manter a unificação do território brasileiro.

“Se esperava até que o almirante Thomas Cochrane, que na época comandava a Marinha Imperial, fizesse um ataque de anexação em Angola. Esse ataque foi esperado até a assinatura do reconhecimento da independência do Brasil por Portugal, em 1825, mas não chegou a acontecer”, acrescentou.

Com o fim do tráfico negreiro, em 1850, o governo imperial tenta manter relações com Angola, uma vez que a região era uma das poucas com que o Brasil tinha superávit comercial. Ainda em 1850, o Consulado-Geral em Angola é inaugurado na tentativa de substituir os escravizados por outros produtos.

“Isso não vai dar certo por causa da política colonial estabelecida por Portugal, que vai romper essas relações entre Brasil e Angola”, pontuou Guizelin.

República Velha

Com o fim do Império e início do período conhecido como República Velha (1889-1930), o Estado brasileiro passa a adotar uma política de embranquecimento da população por meio da imigração europeia e da exclusão do negro liberto da vida econômica e social, avalia o historiador.

“É uma República extremamente racista que absorve a teoria do ‘racismo científico’, em voga na Europa, que atribui uma falsa superioridade ao branco. Se forja uma nova identidade nacional onde a população negra brasileira é excluída. Com isso, a África passa a ser um continente esquecido pelo Itamaraty”, contou Guizelin.

Jânio Quadros

O professor afirma que isso só começa a mudar na década de 1960 a partir do processo de descolonização da África. “Nessa década, 17 nações africanas conquistam a independência, abalando a geopolítica mundial”, comentou.


Brasília (DF), 06/06/2025  -  Ex-presidentes Jânio Quadros. Foto Presidência da República/PR
Brasília (DF), 06/06/2025  -  Ex-presidentes Jânio Quadros. Foto Presidência da República/PR

Governo Jânio Quadros criou primeira embaixada do Brasil em continente africano, em Gana – Foto: Presidência da República/PR

Com isso, políticos, diplomatas e intelectuais no Brasil passam a olhar para África. “A política externa independente do Jânio Quadros, em 1961, vai criar a primeira embaixada do Brasil no continente africano, em Acra, Gana”, acrescentou Gilberto.

Ditadura militar

Com o golpe civil-militar de 1964 no Brasil, essa reaproximação com a África é suspensa. “Novamente, um governo conservador assume e não tem bons olhos para os movimentos de libertação da África. Pelo contrário, o governo militar defende a colonização portuguesa em Angola”, disse o historiador.

O professor pondera que essa política da ditadura militar muda na década de 1970, com a crise do petróleo, assumindo um caráter menos ideológico e mais pragmático.

“O Brasil tinha que buscar novos mercados para seu grande parque industrial. Com isso, o regime passa a olhar mais para Ásia e África. As nações recém-independentes passam então a cobrar do Brasil apoio à descolonização. Começa a ficar evidente que o apoio brasileiro à política colonial portuguesa já não cabia mais naquele contexto”, disse.

Quando o general Ernesto Geisel assume a Presidência, em 1974, ocorre a Revolução dos Cravos, em Portugal, que põe fim à ditadura de António Salazar naquele país, permitindo a independência de Angola, em 1975.

O Brasil foi o primeiro país a reconhecer a nova nação africana. Em seguida, a Petrobras e construtoras brasileiras vão para Angola reconstruir o país após a guerra de libertação.


Brasília (DF), 06/06/2025  -  Ex-presidentes Ernesto Geisel. Foto Presidência da Republica/ PR
Brasília (DF), 06/06/2025  -  Ex-presidentes Ernesto Geisel. Foto Presidência da Republica/ PR

Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola, no governo Geisel – Foto: Presidência da Republica/ PR

“A partir de 1975, temos um reavivamento dessas relações comerciais com Angola. No entanto, elas começam a entrar em declínio justamente por conta da Guerra Civil pós-independência”, disse Guizelin.

Redemocratização

Com a redemocratização, o presidente José Sarney tenta uma reaproximação com o continente africano e se torna o primeiro presidente do Brasil a visitar Angola. Porém, segundo o historiador, essas relações são esquecidas pelos governos seguintes de Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso (FHC).

“Collor e FHC priorizaram as relações com Estados Unidos e Europa em suas políticas externas, ou com os países da América Latina, principalmente do Mercosul. As relações com a África vinham em último lugar”, completou o historiador.

Governos Lula e Dilma

Com o início do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a política externa brasileira passa a privilegiar as chamadas relações Sul-Sul, e a África ganha uma importância, até então, inédita.

“Vamos ter uma guinada da política externa brasileira. Nós vamos ter um reavivamento das relações do Brasil com a África como um todo, principalmente com os países da língua portuguesa. Por isso, Lula vai fazer várias viagens durante seus primeiros mandatos a vários países africanos, com sua primeira viagem a Angola em 2007”, lembrou o professor da UFPR.

Com o governo Dilma Rousseff, há uma redução das relações do Brasil com Angola. “Embora as relações Sul-Sul ainda continuassem a ser prioritárias, o governo Dilma vai olhar com mais afinco, com mais carinho, para as relações com o Mercosul ou com os Brics. Nesse sentido, a África fica um pouco em segundo plano”, acrescentou.

Temer e Bolsonaro

Nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, as relações com a África voltam a ser reduzidas, segundo explicou o historiador da Federal paranaense.

“Com o impeachment [de Dilma], há praticamente um congelamento dessas relações. Ambos os governos vão fechar embaixadas e postos diplomáticos no continente africano. Nem Temer nem Bolsonaro fizeram uma única viagem à África. Tem viagem de ministros, mas não há uma diplomacia presidencial, como a gente verificou no governo Lula, por exemplo, e no governo José Sarney”, destacou o especialista.


Brasília (DF), 06/06/2025  -   Elga Lessa de Almeida, professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal da Bahia. Foto Arquivo Pessoa
Brasília (DF), 06/06/2025  -   Elga Lessa de Almeida, professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal da Bahia. Foto Arquivo Pessoa

Elga Lessa de Almeida, professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia –  Foto: Arquivo Pessoal

A professora de relações internacionais da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Elga Lessa de Almeida citou a polêmica em torno das denúncias de corrupção da Igreja Universal do Reino de Deus, em Angola, que gerou a revolta de pastores angolanos.  A instituição brasileira negou as acusações.

“Esse foi quase o foco da relação do governo Bolsonaro com Angola. Houve uma série de investigações em relação ao desvio de recursos da doação dos africanos que eram enviados para o Brasil. Bolsonaro tentou, na época, que o vice Hamilton Mourão fosse lá e intercedesse. Mas o presidente angolano João Lourenço recusou dizendo que essa era uma questão do Judiciário”, disse a especialista.

Terceiro mandato de Lula

Em seu terceiro mandato, o presidente Lula busca uma reaproximação com Angola por meio da diversificação da pauta comercial para além do agronegócio e do petróleo, pauta de exportações que domina a relação entre os dois países. O fluxo de comércio entre os países caiu após 2015 em função dos efeitos da Lava Jato, da competitividade da China e das crises econômicas.

A professora da Federal baiana Elga Lessa considera que Lula está retomando a reaproximação com Angola que empreendeu nos primeiros mandatos.

 


Brasília (DF), 23/05/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (d), recebe o presidente de Angola, João Lourenço (e), em cerimônia oficial no Palácio do Planalto. 
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 23/05/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (d), recebe o presidente de Angola, João Lourenço (e), em cerimônia oficial no Palácio do Planalto. 
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Presidente Lula recebe o presidente de Angola, João Lourenço, em cerimônia oficial no Palácio do Planalto em maio deste ano – Foto – Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Lula retoma muito dos elementos que fizeram parte desse fortalecimento com os países africanos no primeiro mandato. A ideia da cooperação, sobretudo, na área agrícola, no setor de saúde. Mas há uma diferença, quando a gente pensa nesse governo Lula 3, que é que não temos o mesmo apoio financeiro que teve no passado”, finalizou.



Fonte: Agência Brasil

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Lula fala para milhares na Espanha e pede coerência dos progressistas

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Em viagem à Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na tarde deste sábado (18), na cidade de Barcelona, na Espanha, da primeira edição do evento Mobilização Progressista Global (MPG). O encontro reúne ativistas e organizações de esquerda de diferentes partes do mundo com o objetivo de defender a democracia com justiça social e combater o avanço da forças autoritárias de extrema-direita.

Discursando em um centro de eventos para mais de 5 mil pessoas, incluindo outros chefes de Estado, Lula abriu sua fala dizendo que as pessoas não devem sentir vergonha em se apresentarem como progressistas ou de esquerda no mundo atual.

“Ninguém precisa ter medo, no mundo democrático, de ser o que é, de falar o que precisa falar, desde que se respeite as regras do jogo democrático estabelecidas pela própria sociedade”.

Ao destacar os avanços que o campo progressista conseguiu alcançar para grupos sociais como trabalhadores, mulheres, população negra e comunidade LGBTQIA+, o presidente ponderou que a esquerda não conseguiu superar o pensamento econômico dominante, abrindo caminho para forças reacionárias ganharem espaço na sociedade.

“O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. Ainda sim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende agora que o outro lado se apresente agora como antissistema”, afirmou Lula.

O primeiro mandamento dos progressistas tem que ser a coerência, reforçou o presidente brasileiro.

“Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança do povo, mesmo que boa parte da população não se veja como progressista. Ela quer o que nós propomos. Ela quer comer bem, morar bem, escolas de qualidade, hospitais de qualidade, uma política climática séria e responsável, uma política de meio ambiente à altura. Ela quer um mundo limpo e saudável, um trabalho digno, com jornada de trabalho equilibrada, um salário que permite uma vida confortável”, continuou.

Segundo Lula, a extrema-direita soube capitalizar o mal-estar das promessas não cumpridas do neoliberalismo. 

“Canalizou a frustração das pessoas inventando mentiras e mais mentiras, falando das mulheres, dos negros, da população LGBTQIA+, dos imigrantes, ou seja, todas as pessoas mais necessitadas, que passaram a ser vítimas do discurso de ódio”, completou.

Mais cedo, ainda em Barcelona, o presidente participou, ao lado de outros líderes internacionais, da quarta edição do Fórum Democracia Sempre. O evento é uma iniciativa lançada em 2024 envolvendo os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. Em Barcelona, a reunião, organizada pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, também contou com as participações dos presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Ciyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México) e do ex-presidente do Chile Gabriel Boric.

À plateia formada por ativistas do campo progressista, Lula disse que é preciso apontar o dedo para os verdadeiros culpados pela crise socioeconômica atual, que são os poucos bilionários que concentram a maior parte da riqueza mundial. “Eles querem que as pessoas acreditem que qualquer um pode chegar lá. Alimentam a falácia da meritocracia, mas chutam a escada para que outros não tenham a mesma oportunidade de subir. Pagam menos impostos ou nada, exploram o trabalhador, destroem a natureza, manipulam os algoritmos. A desigualdade não é um fato, é uma escolha política. O que faz de nós progressistas, é escolher a igualdade. Nosso lema deve ser sempre estar ao lado do povo”.

“Senhores da guerra”

Lula voltou a chamar os líderes de países que ocupam assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas de “senhores da guerra” e criticou os bilhões de dólares gastos em armas, que poderiam acabar com a fome, resolver o problema energético e o acesso à saúde a toda a população do planeta.

“O Sul Global paga a conta de guerras que não provocou e de mudanças climáticas que não causou. É tratado como quintal das grandes potências, sufocado por tarifas abusivas e dívidas impagáveis. Volta a ser visto como mero fornecedor de matérias-primas. Ser progressista na arena internacional é defender um multilateralismo reformado, defender que a paz faça prevalência sobre a força, é combate a fome e proteger o meio ambiente, é restituir a credibilidade da ONU, que foi corroída pela irresponsabilidade dos membros permanentes”, disse.

Em outro trecho de seu discurso, Lula afirmou que a ameaça da extrema-direita não é apenas retórica, ela é real. “No Brasil, ela [extrema-direita] planejou um golpe de Estado. Orquestrou uma trama que previa tanques na rua e assassinatos do presidente eleito, do vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral. O papa Leão XIV disse que a democracia corre o risco de se tornar uma máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas. Nosso papel é desmascarar essas forças, desmascarar aqueles que dizem estar do lado do povo, mas governam para os mais ricos”.

O presidente brasileiro ainda observou que a democracia não é um destino em si, mas precisa ser reafirmada diariamente, melhorando de verdade a vida das pessoas, para não perder credibilidade.

“Não é democracia quando um pai não sabe de onde tirar seu próximo de comida. Não há democracia quando um neto perde seu avô na fila de um hospital. Não há democracia quando uma mãe passa horas em um ônibus lotado e não consegue dar um beijo de boa noite nos seus filhos. Não há democracia quando alguém é discriminado pela cor de sua pele, quando uma mulher morre apenas pelo fato de ser mulher. Temos que substituir o desalento pelo sonho, o ódio pela esperança”, afirmou.

Agenda na Europa

Após o compromisso na Espanha Lula embarca para a Alemanha neste domingo (19), onde participará da Hannover Messe – a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo – que nesta edição homenageia o Brasil. Ainda na Alemanha, o presidente brasileiro terá uma reunião com o chanceler Friedrich Merz.

A viagem se encerrará dia 21, com uma rápida visita de Estado a Portugal. Em Lisboa, Lula se encontra com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.



Fonte: Agência Brasil

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Internacional

Papa: estou na África para encorajar católicos, não debater com Trump

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Minutos após embarcar em um voo rumo a Angola, na terceira etapa de sua viagem apostólica à África, o papa Leão XIV disse neste sábado (18) não ter interesse algum em discutir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Difundiu-se certa narrativa, não totalmente precisa, por causa da situação política criada quando, no primeiro dia da viagem, o presidente dos Estados Unidos fez algumas declarações sobre mim”, explicou o pontífice a jornalistas que o acompanham.

“Grande parte do que foi escrito desde então nada mais é do que comentário sobre comentário, na tentativa de interpretar o que foi dito”, destacou o pontífice, ao citar que o discurso feito no Encontro de Oração pela Paz, no último dia 16, havia sido preparado duas semanas antes.

“Muito antes de o presidente comentar sobre mim e sobre a mensagem de paz que estou promovendo. Ainda assim, foi interpretado como se eu estivesse tentando debater novamente com o presidente, algo que não é de modo algum do meu interesse”, completou.

Durante o voo, o papa fez um balanço positivo dos três dias de viagem a Camarões, país que, segundo ele, representa o “coração da África” sob diversos aspectos, citando cerca de 250 idiomas locais e uma grande variedade de etnias.

Paz e diálogo

Leão XIV pediu ainda paz e diálogo entre as diversas religiões: “Venho à África principalmente como pastor, como chefe da Igreja Católica, para estar, para celebrar, para encorajar e acompanhar todos os católicos africanos”.

O pontífice defendeu ser necessário “continuar a promover, como já estamos fazendo em outros lugares e como fez o papa Francisco durante seu pontificado, o diálogo, a promoção da fraternidade, da compreensão, da aceitação e da construção da paz com pessoas de todas as religiões”.



Fonte: Agência Brasil

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Irã diz ter retomado controle de Ormuz sob supervisão rígida

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A Irna, agência de notícias oficial da República Islâmica do Irã, informou neste sábado (18) que o controle sobre o Estreito de Ormuz foi restaurado ao seu status anterior, com supervisão reforçada pelas Forças Armadas do país.

O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, se referiu ao estreito como estratégico e citou que o local está “sob estrita gestão e controle das Forças Armadas”.

Ele observou que o Irã havia concordado anteriormente, num ato “de boa fé” e seguindo acordos prévios feitos durante as negociações, em permitir a passagem controlada de um número limitado de petroleiros e embarcações comerciais pelo estreito.

No entanto, os Estados Unidos (EUA), segundo ele, continuaram a “violar repetidamente os compromissos” acordados e a praticar “pirataria e roubo marítimo sob o chamado bloqueio”.

“Portanto, o controle do Estreito de Ormuz retornou ao seu estado anterior”, reforçou.

Ameaças

A Agência Tasnim, ligada ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) , já havia informado que, caso o bloqueio naval dos Estados Unidos continuasse, o estreito voltaria a ser fechado, prejudicando a comercialização de 20% da produção de petróleo no mundo.

Para os iranianos, a permanência dos navios estadunidenses na região é violação do acordo de cessar-fogo. Navios dos EUA estão posicionados no Oceano Índico a uma distância do Estreito de Ormuz de onde podem interceptar eventuais ataques do Irã.

Cessar-fogo

Na última quinta-feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ter costurado um acordo de cessar-fogo entre Líbano e Israel, com duração de dez dias. A trégua era uma das exigências do Irã para continuidade das negociações.

Em comunicado divulgado na sexta-feira (17), a Força Naval do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) informou que uma “nova ordem” passaria a reger o estreito, fazendo referência ao cessar-fogo.

No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que a navegação pelo Estreito de Ormuz estaria completamente aberta durante o restante do cessar-fogo.

“Em conformidade com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está declarada totalmente aberta durante o período restante do cessar-fogo”, di



Fonte: Agência Brasil

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