Connect with us

Internacional

Prioridades do Brics no Brasil serão paz e meio ambiente, diz Lula

Published

on


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (26), que as ações dos países do Brics visam reduzir as assimetrias nas relações internacionais. Para Lula, as prioridades do Brasil na presidência do bloco servirão para avançar em agendas já amplamente discutidas, como a paz e a preservação do meio ambiente, e propor debates sobre novos desafios, como a inteligência artificial.

“Neste momento de crise, nossa responsabilidade histórica é buscar soluções construtivas e equilibradas”, disse. “Os Brics também continuarão a ser peça chave para que os ideais da Agenda 2030, do Acordo de Paris e do Pacto para o Futuro possam ser cumpridos. A presidência brasileira vai reforçar a vocação do bloco como espaço de diversidade e diálogo em prol de um mundo multipolar e de relações menos assimétricas”, reforçou.

As declarações de Lula foram feitas em participação de sessão da Primeira Reunião de Sherpas da Presidência Brasileira do Brics, bloco de 11 países liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O evento em Braília serviu para apresentar as prioridades brasileiras no comando do grupo, que são:

  • cooperação em saúde global;
  • financiamento de ações de combate à mudança do clima;
  • comércio, investimento e finanças;
  • uso de moedas locai em operações financeiras;
  • governança da inteligência artificial;
  • desenvolvimento institucional do Brics.

Brasília (DF), 26/02/2025 - O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participam da sessão especial de abertura da primeira reunião de sherpas da presidência brasileira do BRICS, no Palácio Itamaraty. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 26/02/2025 - O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participam da sessão especial de abertura da primeira reunião de sherpas da presidência brasileira do BRICS, no Palácio Itamaraty. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Brasília (DF), 26/02/2025 – Ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e presidente Lula participam da sessão especial de abertura da primeira reunião de sherpas da presidência brasileira do Brics – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Urgências

Para Lula, a cooperação em saúde é uma das maiores urgências do Sul Global. Ele destacou que será lançado um mecanismo de defesa da saúde mundial e lembrou que as experiências anteriores, como a pandemia de covid-19, devem resultar em ensinamentos para os países.

“A pobreza, a falta de acesso a serviços básicos e a exclusão social são o terreno fértil para doenças como tuberculose, malária e dengue e outras que, juntas, ameaçam cerca de 1 bilhão e 700 milhões de pessoas no mundo. Durante a nossa presidência pretendemos lançar uma parceria para a eliminação de doenças socialmente determinadas e doenças tropicais negligenciadas”, afirmou Lula.

“A ausência de acordo em torno do tratado sobre pandemias, mesmo após o covid-19 e a pandemia mpox, atesta a falta de coesão da comunidade internacional diante de graves ameaças. Sabotar os trabalhos da Organização Mundial da Saúde [OMS] é um erro com sérias consequências”, ressaltou.

Além da saúde, Lula comentou brevemente sobre cada uma das prioridades do Brasil no Brics, entre elas o uso de moedas locais em operações financeiras relacionadas ao comércio e investimentos dos países-membros do grupo. O objetivo é reduzir os custos de operações comerciais-financeiras das nações em desenvolvimento.

“A atual escalada protecionista na área de comércio e investimentos reforça a importância de medidas que busquem superar os entraves à nossa integração econômica. Aumentar as opções de pagamento significa reduzir vulnerabilidades e custos. A presidência brasileira está comprometida com o desenvolvimento de plataformas de pagamento complementares, voluntárias, acessíveis, transparentes e seguras”, garantiu.

O presidente ainda ressaltou que, ao mesmo tempo em a inteligência artificial oferece oportunidades extraordinárias, também traz desafios éticos, sociais e econômicos. Nesse sentido o Brasil está propondo a Declaração de Líderes sobre Governança da Inteligência Artificial para o Desenvolvimento.

“Essa tecnologia não pode se tornar monopólio de poucos países e poucas empresas. Grandes corporações não têm o direito de silenciar e desestabilizar nações inteiras com desinformação. Mitigar os riscos e distribuir os benefícios da revolução digital é uma responsabilidade compartilhada”, disse Lula.

Para o presidente, o Brics “precisa tomar para si” a tarefa de recolocar o Estado no centro dos debates para uma governança “justa e equitativa” dessa tecnologia, sob o amparo das Nações Unidas.

“Qualquer tentativa de desenvolvimento econômico hoje passa pela inteligência artificial. Não podemos permitir que a distribuição desigual dessa tecnologia deixe o Sul Global à margem”, afirmou.


Brasília (DF), 26/02/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da sessão especial de abertura da primeira reunião de sherpas da presidência brasileira do BRICS, no Palácio Itamaraty. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 26/02/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da sessão especial de abertura da primeira reunião de sherpas da presidência brasileira do BRICS, no Palácio Itamaraty. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Brasília (DF), 26/02/2025 – Reunião de sherpas no Itamaraty- Marcelo Camargo/Agência Brasil

Negociações

Os sherpas são os negociadores enviados pelos países integrantes do Brics com a responsabilidade de conduzir as discussões que culminarão com a Cúpula de Líderes, agendada para os dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro . A reunião de sherpas é presidida pelo embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores e sherpa do Brasil no Brics.

Na sessão especial com o presidente Lula, além dos representantes de países-membros do Brics – Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, participaram embaixadores de países parceiros – Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.



Fonte: Agência Brasil

Internacional

Na Alemanha, Lula defende parceria com Europa na descarbonização

Published

on


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (19) uma matriz energética limpa em parceria com a Europa e a proteção a empregos com o avanço da inteligência artificial.

Na Alemanha, Lula discursou na abertura da maior feira industrial do mundo, a Hannover Messe. Ele voltou a criticar os efeitos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, conflito que chamou de “maluquice”. 

Lula disse que o Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir custos de energia e a descarbonizar a indústria. “Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”, disse Lula, na Hannover Messe.

No discurso, acompanhado pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, por representantes dos governos e empresários dos dois países, Lula argumentou que é preciso combater “narrativas falsas” a respeito da sustentabilidade da agricultura brasileira. Ele foi aplaudido pelos presentes em diferentes momentos do discurso.

“Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético”. 

O presidente argumentou que, em 2026, o Brasil coloca em marcha um “robusto programa” que prioriza a economia verde e a indústria 4.0. Por outro lado, ele aproveitou para contextualizar que se trata de um momento crítico na geopolítica global, marcado por paradoxos.

“A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais”, criticou.

Defesa do trabalhador 

Sobre o mercado de trabalho, Lula disse que o país tem o menor desemprego da sua história e que defende o fim da escala 6×1, com a redução da jornada de trabalho para garantir dois dias de descanso.

Em relação aos empregos, Lula fez apelo aos empresários e pesquisadores para que, no cenário da evolução das tecnologias de inteligência artificial, contabilizem os impactos para os trabalhadores no mundo.

“Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos, é preciso que nos lembremos que, por trás de cada invenção, tem um ser humano. Se ele não tiver mercado de trabalho, o mundo só tende a piorar”, considerou.

“Maluquice da guerra”

Ainda em seu discurso, Lula assegurou que o Brasil é um dos países menos afetados pela “maluquice da guerra feita com o Irã”. Ele afirmou que o governo tomou medidas internas para minimizar esse impacto diante de um cenário em que o país importa 30% do óleo diesel utilizado.  

O presidente aproveitou para condenar o fato de o mundo estar marcado por desigualdades, mas haver um gasto de US$ 2,7 trilhões em guerras. Em relação a isso, Lula pediu responsabilidade a membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para buscar caminhos contra essa realidade. O conselho conta com cinco membros permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. 

Efeitos sobre mais vulneráveis

Lula lembrou que, com o conflito no Oriente Médio, ocorrem flutuações no preço do petróleo que encarecem a energia e o transporte. Outra consequência é a escassez de fertilizantes, que afeta a produção agrícola e aumenta a insegurança alimentar.

“São os mais vulneráveis que pagam o preço da inflação dos alimentos. O protecionismo ressurge como resposta falaciosa para problemas econômicos e sociais complexos”. 

Diante desse cenário, Lula apontou que a “paralisia” da Organização Mundial do Comércio (OMC) torna necessário “refundar a organização”. No tema do comércio internacional, o presidente aproveitou para enfatizar a importância do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

“Daqui a menos de duas semanas, entrará em vigor o acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares”. 

Lula voltou a ser aplaudido quando lembrou do compromisso brasileiro de, até 2030, chegar a desmatamento zero na Amazônia. “Nos últimos três anos, reduzimos em 50% o desmatamento da Amazônia e em 32% no Cerrado”.

O presidente também destacou que o Brasil prioriza a sustentabilidade no campo dos combustíveis. “Já adotamos mistura de 30% de etanol na gasolina e de 15% no biodiesel. Produzimos biocombustíveis de forma sustentável, sem comprometer o cultivo de alimentos ou derrubar florestas”, explicou.

Ele acrescentou que 90% da energia elétrica do Brasil é limpa e há potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo.  

Lula também citou a possibilidade de maior exploração de minérios críticos para colaborar com a descarbonização e a transformação digital. “Com apenas 30% do potencial mineral mapeado, nosso país já tem a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terra rara e a terceira de níquel”.

Ele disse que não vê o país como “mero exportador” dos minerais, mas deseja parcerias internacionais com transferência de tecnologia.



Fonte: Agência Brasil

Continue Reading

Internacional

Lula chega à Alemanha para assinar parcerias comerciais e de inovação

Published

on


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou, neste domingo (19), na cidade de Hannover, na Alemanha, em busca de parcerias comerciais e de inovação. Estão previstas as assinaturas de 10 acordos em diferentes áreas.

Lula foi recebido pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, com honras de chefe de Estado ao chegar ao Palácio de Herrenhausen.

Ainda neste domingo, Lula deve se reunir, de forma privada, com o líder alemão e participar, ao lado de Merz, da cerimônia de abertura da Feira Industrial de Hannover, seguida de jantar oficial com lideranças empresariais.

O objetivo é ampliar a visibilidade internacional do Brasil, mostrar a integração do ecossistema brasileiro e reforçar o posicionamento do país como um destino de investimentos, tecnologia e negócios. 

Segundo o governo, as parcerias a serem assinadas incluem as áreas de defesa, mudanças climáticas, infraestrutura, inteligência artificial, inovações energéticas, bioeconomia, desenvolvimento sustentável, desenvolvimento de aplicativos e pesquisas nas áreas oceânicas e do cerrado brasileiro.

Reindustrialização

A ideia é consolidar parcerias estratégicas, promover a reindustrialização do Brasil e discutir temas globais urgentes, como a defesa da democracia, o combate às desigualdades e a crise climática.

Na segunda (20), Lula vai participar da Hannover Messe, que é a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo. Nesta edição, o evento homenageia o Brasil. O presidente ainda deve participar de um fórum empresarial.

Na feira, a participação brasileira conta com cerca de 2.700 metros quadrados de exposição, organizados nas áreas temáticas de transição energética, hidrogênio, digitalização, indústria avançada, economia circular e inteligência artificial. Haverá a presença de 140 empresas brasileiras e outras 300 representadas.

Estratégia

Segundo a diplomacia brasileira, a participação do presidente Lula na Feira Industrial reflete uma decisão estratégica, em sintonia com a retomada da política industrial do país.

Ainda na segunda, o presidente participa da abertura da 42ª edição do Encontro Econômico Brasil–Alemanha, que reúne empresários e autoridades dos dois países para discutir temas como inovação, sustentabilidade, geopolítica, indústria de defesa e inteligência artificial.

Lula também participará da sessão plenária da 3ª Reunião de Consultas Intergovernamentais de Alto Nível entre Brasil e Alemanha, com participação de delegações ministeriais dos dois países. Está prevista também a possibilidade de visita à cidade de Wolfsburg, sede global da Volkswagen. 

Para o governo, a Alemanha se destaca como um dos principais interlocutores do Brasil na Europa. O país europeu é hoje o principal parceiro do Brasil em cooperação técnico-financeira e mantém atuação relevante em iniciativas voltadas à agenda climática, à transição energética e ao desenvolvimento sustentável.



Fonte: Agência Brasil

Continue Reading

Internacional

Soberania em minerais críticos permite emprego verde na América Latinacurrent-page:pager]Agência Brasil

Published

on


Os países da América Latina devem aproveitar as enormes reservas de minerais críticos e terras raras que possuem para desenvolver a própria indústria da transição energética, avaliaram lideranças latino-americanas consultadas pela Agência Brasil.  

O controle sobre os minerais críticos, fundamentais para indústrias da transição energética e da tecnologia, é um dos centros da disputa comercial travada entre China e Estados Unidos (EUA) pela liderança da economia global.


Brasília (DF), 25/03/2026 - Minerais críticos e transição energética. O ex-ministro de Minas e Energia do governo de Gustavo Petro, na Colômbia, Andrés Camacho. Foto: Lucas Alvarenga/Ineep
Brasília (DF), 25/03/2026 - Minerais críticos e transição energética. O ex-ministro de Minas e Energia do governo de Gustavo Petro, na Colômbia, Andrés Camacho. Foto: Lucas Alvarenga/Ineep

Ex-ministro de Minas e Energia da Colômbia Andrés Camacho. Foto: Lucas Alvarenga/Ineep

Os especialistas argumentam que, ao desenvolver a própria indústria, a América Latina evita repetir o papel de simples exportador de matérias-primas, fortalecendo a economia da região e ganhando poder de barganha no cenário global.

O ex-ministro de Minas e Energia do governo de Gustavo Petro, na Colômbia, Andrés Camacho, destacou que o fato de uma parcela importante desses minerais estar na América Latina permite que os países possam desenvolver as próprias indústrias, criando empregos de qualidade e reduzindo a dependência tecnológica.

“Por exemplo, o lítio, encontrado em países aqui no Sul do continente. Precisamos avançar em direção à produção, não apenas para exportar lítio, mas também para aprimorá-lo, e não apenas como mineral, mas como baterias”, destacou.

O lítio é um dos principais insumos para baterias de carros elétricos, assim como o cobre é fundamental para os painéis solares e eólicos. Estima-se que 45% do lítio e 30% do cobre estejam na América Latina, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

A deputada pela Argentina do parlamento do Mercosul (Parlasul) Cecilia Nicolini, ex-secretária de Mudanças Climáticas do governo de Alberto Fernández (2019-2023), defendeu que os países latino-americanos não devem se limitar a exportar minerais brutos para outras nações processá-los.

“Você pode ter uma política de exportação de recursos, mas também podemos usar esses recursos para desenvolver algum tipo de tecnologia ou algum tipo de participação na cadeia de valor para ter um nível mínimo de poder de negociação [no cenário global]”, disse.


Brasília (DF), 25/03/2026 - Minerais críticos e transição energética. A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Ticiana Alvares. Foto: Lucas Alvarenga/Ineep
Brasília (DF), 25/03/2026 - Minerais críticos e transição energética. A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Ticiana Alvares. Foto: Lucas Alvarenga/Ineep

Diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Ticiana Alvares. Foto: Lucas Alvarenga/Ineep

As lideranças participaram, no Rio de Janeiro (RJ), do Seminário Internacional Energia, Integração e Soberania, realizado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), em parceria com a Fundação Perseu Abramo e a Fundação Friedrich Ebert Brasil.

A diretora técnica do Ineep, Ticiana Alvares, defendeu que a atual lógica do comércio global está em xeque com as guerras em curso e a disputa geopolítica entre China e EUA. Isso abriria oportunidades para a América Latina investir em indústrias regionais ligadas à transição energética.  

“Essa internalização de bens e insumos essenciais talvez não possa ser feita de forma nacional, mas faz sentido de forma regional. Por exemplo, o tema dos fertilizantes, que o Brasil tem uma dependência gigante. Temos a Argentina, que agora é abundante em gás. Temos também a Bolívia abundante em gás. O gás natural é o principal insumo para a produção de fertilizante nitrogenado”, explicou.

Para Ticiana, a crise atual incentiva os países a internalizar a produção de bens necessários para segurança energética. “Em um momento de crise, duvido que os países não queiram ter uma indústria no seu país”, completou.

Importância da América Latina nos minerais críticos

A Agência Internacional de Energia (AIE) aponta a América Latina como região chave para o mercado global de minerais críticos, com vastas reservas e um setor de mineração bem estabelecido.

“A América Central e do Sul são ricas em minerais críticos como lítio, cobre, grafite, terras raras, níquel, manganês, prata e bauxita, lideradas por países como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile e Peru”, diz a AIE.  

A dependência dos Estados Unidos de importações desses minerais tem sido uma fonte de tensões geopolíticas, uma vez que Washington atua para garantir esses suprimentos e evitar que adversários, principalmente Rússia e China, tenham acesso a esses materiais.  

“Os EUA dependem de importações para mais da metade do lítio e mais de dois terços dos compostos e metais de terras raras que consomem”, afirma o relatório do Serviço Geológico dos Estados Unidos de 2026.

Por outro lado, a China tem um papel dominante no mercado dos minerais críticos e terras raras, tanto no campo da mineração, como principalmente no processamento e refino desses materiais, segundo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE).

“Sua influência é ainda mais forte no refino, com uma participação de 44% no refino global de cobre, uma participação de 70-75% no processamento de lítio e cobalto e uma participação de mais de 90% no refino de elementos de terras raras e grafite de grau de bateria”, diz a AIE.

Ainda segundo a agência, o engajamento da China nesse mercado “tem sido forte na África, América Latina e Indonésia”.

Trump tenta conter China na América Latina

Um dos objetivos da política externa da Casa Branca sob Trump é conter a influência econômica chinesa no continente latino-americano, como ficou expresso na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada em novembro do ano passado, reafirmando a “proeminência” de Washington sobre a América Latina.

“Negaremos a concorrentes de fora do Hemisfério a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais em nosso Hemisfério”, diz o documento oficial.

Em março deste ano, Trump firmou uma coalizão militar com 12 países latino-americanos alinhados ideologicamente, como Argentina, Paraguai, Equador e Chile. Um dos objetivos é afastar a influência de potências estrangeiras de fora do hemisfério, o que tem sido interpretado como parte da guerra comercial travada pelos EUA contra a China. 

Coalizão latino-americana sem ideologia


Brasília (DF), 25/03/2026 - Minerais críticos e transição energética. A deputada pela Argentina do parlamento do Mercosul, o Parlasul, Cecilia Nicolini, ex-secretária de Mudanças Climáticas do governo de Alberto Fernández (2019-2023). Foto: Lucas Alvarenga/Ineep
Brasília (DF), 25/03/2026 - Minerais críticos e transição energética. A deputada pela Argentina do parlamento do Mercosul, o Parlasul, Cecilia Nicolini, ex-secretária de Mudanças Climáticas do governo de Alberto Fernández (2019-2023). Foto: Lucas Alvarenga/Ineep

Deputada pela Argentina do Parlasul, Cecilia Nicolini, ex-secretária de Mudanças Climáticas do governo. Foto: Lucas Alvarenga/Ineep

A deputada do Parlasul Cecilia Nicolini defende que os países latino-americanos precisam criar coalizões baseadas em temas, como a transição energética, para que possam contornar as diferenças ideológicas entre os governos da região.

“Precisamos pensar em como formar essas coligações com outros países que não compartilham nossa ideologia, para construir essas alianças com base em questões específicas, principalmente na transição energética. Porque essa integração exige infraestrutura, exige políticas que vão além dos governos atuais”, destacou Cecilia.

Para o ex-ministro de Minas e Energia colombiano Andrés Camacho, caso não consiga desenvolver uma indústria própria, a região ficará dependente da importação dos equipamentos da transição energética.

“A produção de painéis solares provavelmente será difícil, mas se tivermos recursos como esses minerais, poderemos começar a criar cadeias de produção. Teremos que começar a desenvolver nossas próprias adaptações para veículos elétricos e tomar medidas para garantir que não nos tornemos completamente dependentes dessas tecnologias”, destacou.

A diretora técnica do Ineep Ticiana Alvares pondera, por outro lado, que os países que detêm os minerais críticos exigidos por EUA e China precisam conquistar, por meio de negociações, as condições que permitam a transferência de tecnologia para a região.

“A gente tem as matérias-primas dessas indústrias que são as indústrias energéticas do futuro. Não só energética, no caso dos minerais críticos, da inteligência artificial e tudo mais. A China não irá transferir tecnologia por vontade própria. A gente tem que dizer o que a gente quer. A China mesmo fez isso. Foi assim que a China foi avançando nas cadeias de valor”, finalizou.

Segurança nacional

O presidente do Brasil,  Luiz Inácio Lula da Silva, tem defendido que os países da América Latina tenham acesso a todas as etapas das cadeias de valor dos minerais críticos existentes na região. 

Na última sexta-feira (17), durante assinatura de acordos com a Espanha, Lula lembrou que a América Latina já já deixou passar outros ciclos econômicos como do ouro, da prata, do minério de ferro e da madeira, sem tirar proveito disso.

“Nós não podemos agora permitir que a riqueza que a natureza nos deu não permita que a gente fique rico”. 

Segundo ele, o Brasil está disposto a fazer acordo com todos os países sobre o tema. 

“E o processo de transformação se dará dentro do Brasil. Não vamos repetir com os minerais críticos e com as terras raras o que aconteceu com o minério de ferro, com a bauxita. Vamos agora assumir a responsabilidade. Isso é uma questão de segurança nacional para nós”, disse o presidente.

 

*O repórter viajou a convite do Ineep para o Seminário Internacional Energia, Integração e Soberania



Fonte: Agência Brasil

Continue Reading

Popular

Copyright © 2024 - Serviços de Construção Notícias - Tá Contratado