Facada que quase matou ex-presidente do Brasil e tiro de fuzil no candidato republicano lembram o atentado contra o prefeito Odorico Paraguaçu na novela ‘O Bem-Amado’
ALLISON JANTAR/EFE/EPA Com um curativo na orelha atingida em atentado, Donald Trump participa da Convenção Nacional Republicana
Depois do atentado sofrido por Trump nos Estados Unidos, a internet fervilhou de notícias, memes e brincadeiras. Em um deles, embora com configurações distintas, a arte imitou a vida. Em uma cena da novela “O Bem-Amado”, levada ao ar em 1973, Paulo Gracindo vive o papel do prefeito inescrupuloso Odorico Paraguaçu. Em determinado momento, uma das “Irmãs Cajazeiras”, Dorotéia, vivida pela atriz Ida Gomes, chama a atenção de Odorico sobre a sua baixa popularidade.
O prefeito astucioso pensa logo em alguma malandragem para reverter aquela dramática situação. Com ar maroto, diz à Dorotéia que tudo poderia ser resolvido se ele sofresse um atentado. Dessa forma, se transformaria em vítima e conquistaria a simpatia da população. E assim, marcam o atentado com a cobertura da imprensa. Nesse caso, com pompa e circunstância, a arte imitou a vida.
Ficção e realidade
É evidente que os episódios ocorridos com Bolsonaro e Trump não foram orquestrados por eles, mas as consequências são praticamente as mesmas daquelas imaginadas por Dias Gomes no fato ficcional. Nos atentados contra a vida de Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora (MG), em 2018, e contra Donald Trump, no último sábado, dia 13, na Pensilvânia, a vida imitou a arte. Nenhum dos dois candidatos à presidência, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, estava em condição desesperadora como a de Odorico. O atentado contra eles, entretanto, foi decisivo para o brasileiro e pode ter influência na eleição norte-americana.
Embora Bolsonaro se saísse bem nas entrevistas quando as perguntas giravam em torno das questões de costumes, quase todos os jornalistas, até ingenuamente, tentavam pegá-lo por esse viés. Deixavam de abordar temas relacionados à economia, sobre os quais o candidato demonstrava despreparo. Esse era um de seus pontos mais vulneráveis. Como precisou ficar hospitalizado, não teve como ir aos debates e, consequentemente, se livrou de ser encurralado com esse tipo de questionamento.
Tempo de rádio e televisão
Outro aspecto a ser considerado é que ele tinha pouquíssimo tempo de rádio e televisão. Essa era uma desvantagem terrível para a sua campanha. Devido ao atentado, os órgãos de imprensa tiveram de falar no seu nome praticamente o tempo todo. Além disso, tanto os jornalistas quanto os adversários precisaram puxar o freio de mão e evitar críticas. Afinal, não ficaria bem apontar pontos negativos de alguém que estava hospitalizado. A facada foi, sim, o milagre que Bolsonaro necessitava para vencer aquele pleito.
Diferente, mas com semelhanças
Com Trump, o enredo é diferente, mas produz resultado semelhante. Mesmo tendo sido nocauteado pelo ex-presidente no debate realizado em Atlanta, Biden conseguiu se manter na disputa. A luta seria renhida nas próximas semanas, com chances de vitória para ambos os candidatos. Com o atentado sofrido por Trump, a história deve sofrer modificações.
As pesquisas
De todos os fatos possíveis, esse do dia 13 foi o mais lastimável para Biden. Além das críticas que vêm recebendo dentro do próprio partido por causa da sua fragilidade física e, aparentemente, até mental, agora tem de competir com um adversário que quase foi assassinado. É como se a vitória caísse no colo de Trump. Os números apareceram rapidamente. Na primeira pesquisa realizada pela Reuters após o atentado, Trump aparece com 43% contra 41% de Biden. Outra vantagem significativa foi mostrada pela CNN sobre o número de delegados. O ex-presidente teria 330 a seu favor frente a 208 do democrata.
Oscar Wilde e Aristóteles
Não vai ser fácil para o presidente reverter essa tendência. Sem contar que muitos membros do seu partido insistem para que ele seja substituído por alguém com mais musculatura para enfrentar o republicano. Nada pode ser tomado como definitivo. Pudemos constatar que a vida está sempre surpreendendo. A cada dia uma novidade. O episódio do sábado na Pensilvânia e o vivido por Bolsonaro em Juiz de Fora são exemplos perfeitos para as afirmações de Oscar Wilde na obra “A decadência da mentira”: “A Vida imita a Arte muito mais do que a Arte a vida”. Não significa, todavia, que Aristóteles não tivesse razão quando disse que “a arte imita a vida” — frase adaptada da expressão “A arte imita a natureza”.
A história que deu origem à novela “O Bem-Amado” foi escrita por Dias Gomes em 1962. Sua genialidade profética pôde antever os acontecimentos atuais com seis décadas de antecedência. Quem sabe se escarafuncharmos nos livros, nas peças teatrais e nas músicas, talvez possamos encontrar revelações na arte para os fatos que nos cercam e para os que deverão ocorrer nos próximos tempos. Enfim, vimos que a Arte imita a Vida, mas, sem dúvida, a Vida também imita a Arte. Siga pelo Instagram: @polito.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
O pontífice também disse orar ‘para que eles temam o julgamento da consciência, da história e de Deus, e convertam seus olhos e corações, sempre colocando o bem comum em primeiro lugar’
GIUSEPPE LAMI/EFE/EPA O papa acrescentou que ‘a Europa precisa da Bélgica para levar adiante o caminho da paz e da fraternidade entre os povos que a compõem’
O papa Francisco advertiu nesta sexta-feira (27) que “estamos próximos de uma quase guerra mundial” e espera que “aqueles que governam saibam assumir sua responsabilidade, o risco e a honra da paz”, durante seu discurso a autoridades belgas no Castelo de Laeken, em seu primeiro ato oficial na Bélgica. “Rezo para que os líderes das nações, ao olharem para a Bélgica e sua história, aprendam com ela e, assim, salvem seu povo de catástrofes intermináveis e luto incontável. Rezo para que aqueles que governam saibam assumir sua responsabilidade, o risco e a honra da paz, e saibam afastar o perigo, a ignomínia e o absurdo da guerra”, afirmou.
O pontífice também disse orar “para que eles temam o julgamento da consciência, da história e de Deus, e convertam seus olhos e corações, sempre colocando o bem comum em primeiro lugar”. Diante do rei belga Philippe e da rainha Mathilde e do primeiro-ministro em exercício, Alexander De Croo, com quem se reuniu nesta sexta-feira, o papa desejou que a Bélgica seja “uma ponte, portanto, indispensável para construir a paz e repudiar a guerra”. “Essa é a dimensão da pequena Bélgica. Você entende a necessidade da Europa de se lembrar de sua história, composta de povos e culturas, de catedrais e universidades, das conquistas da engenhosidade humana, mas também de tantas guerras e de um desejo de dominar que às vezes se transformou em colonialismo e exploração”, lembrou.
Siga o canal da Jovem Pan News e receba as principais notícias no seu WhatsApp!
O papa acrescentou que “a Europa precisa da Bélgica para levar adiante o caminho da paz e da fraternidade entre os povos que a compõem”, especialmente “se as fronteiras e os tratados começarem a ser desrespeitados, e o direito de criar leis for deixado às armas, subvertendo a lei existente, a caixa de Pandora será aberta e todos os ventos começarão a soprar violentamente, batendo contra a casa e ameaçando destruí-la”. O líder religioso pediu “ações culturais, sociais e políticas constantes e oportunas que sejam corajosas e prudentes e que excluam um futuro no qual a ideia e a prática da guerra, com suas consequências catastróficas, sejam novamente uma opção viável”.
*Com informações da EFE Publicado por Marcelo Bamonte
Vítima foi encontrada em um muro no quintal da casa de Lourival Correa Netto Fadiga, que trabalhava para a família da vítima e confessou ter cometido o crime
Quase sete meses após o seu desaparecimento, o corpo da advogada Anic de Almeida Peixoto Herdy foi encontrado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na quarta-feira (25) em Petrópolis, na região serrana do Rio. O corpo de Anic foi identificado por meio de exame odontológico, feito por peritos do Instituto Médico Legal do Rio e cujo resultado foi divulgado pela Polícia Civil nesta quinta-feira (26). Ele estava concretado em um muro no quintal da casa de Lourival Correa Netto Fadiga, que trabalhava para a família da vítima e confessou ter cometido o crime.
Em entrevista à TV Record, a advogada de Fadiga, Flávia Froes, afirmou que a morte de Anic foi planejada em conjunto pelo seu cliente e pelo marido da vítima, Benjamin Cordeiro Herdy, e que o sequestro era uma forma de encobrir o homicídio. O motivo do crime seria uma questão familiar, disse a advogada. A defesa de Benjamin Herdy nega que ele tenha participado do crime e classificou a confissão de Fadiga como “um ato de desespero e crueldade”.
Siga o canal da Jovem Pan News e receba as principais notícias no seu WhatsApp!
Anic tinha 54 anos, era advogada, estudante de Psicologia e casada com Benjamin Cordeiro Herdy, de 78 anos, herdeiro de uma família que foi proprietária de um importante grupo educacional no Rio. O casal vivia em Petrópolis, na serra fluminense. Ela foi vista pela última vez em 29 de fevereiro saindo de um shopping de Petrópolis. Câmeras de vigilância do estabelecimento mostraram que ela parou o carro no estacionamento, trocou mensagens por celular e, minutos depois, saiu do centro comercial, atravessando uma rua. No mesmo dia, Benjamin recebeu mensagem no celular informando que Anic havia sido sequestrada. As mensagens, enviadas do próprio celular da advogada, também traziam ameaças contra ela. Os sequestradores pediram R$ 4,6 milhões como resgate e orientaram o marido a não avisar a polícia.
O caso só foi informado à polícia 14 dias depois, por uma filha, e passou a ser investigado pela 105ª DP (Petrópolis). Àquela altura, o montante pedido pelos supostos sequestradores já havia sido pago e um áudio de conversa de telefone entre Benjamin e Lourival foi gravado pela filha. Quatro suspeitos foram presos, incluindo Lourival, que seria um homem de confiança da família e o mandante do crime. Ele se apresentava como policial federal, mas, segundo as investigações, nunca integrou os quadros da corporação. Além dele, um casal de filhos e uma mulher com quem ele teria um caso também foram presos. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apresentou denúncia contra os suspeitos. Os investigadores tiveram acesso aos telefones de todos os envolvidos e cruzaram dados de localização do dia do sequestro e do pagamento dos resgates.
Segundo mostrou o Fantástico, da TV Globo, foi possível comprovar que Lourival não esteve em uma favela para supostamente pagar os criminosos – mas sim em uma concessionária na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onde comprou uma caminhonete avaliada em R$ 500 mil e uma moto. Também adquiriu 950 aparelhos celulares, que foram levados a uma loja da família. Os filhos estiveram na concessionária com o pai, e a mulher chegou a viajar a Foz do Iguaçu, no Paraná, para resolver pendências relativas à aquisição dos celulares. Os três também teriam ajudado a ocultar os valores do resgate.
*Com informações do Estadão Conteúdo Publicado por Marcelo Bamonte