Na ação, foram emitidos 19 mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão domiciliar, sequestro de bens e valores, além do bloqueio de ativos financeiros no valor de R$ 2,1 bilhões
Reprodução/Ijnstagram/site/@dra.deolanebezerra/Esportes da Sorte 42ª Operação de Repressão Qualificada, denominada Integration, foi deflagrada em 2023 pela Polícia Civil de Pernambuco
A Operação Integration, comandada pela Polícia Civil de Pernambuco, investiga lavagem de dinheiro por meio de jogos ilegais. Na ação, foram emitidos 19 mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão domiciliar, sequestro de bens (carros de luxo, imóveis, aeronaves e embarcações) e valores, além do bloqueio de ativos financeiros no valor de R$ 2,1 bilhões. Uma das pessoas presas foi a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra. Segundo a irmã da influencer, a mãe delas também foi presa.
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Já dentre os bens apreendidos está o avião que era de Gusttavo Lima, mas foi vendido para o dono da casa de apostas Vai de Bet. A aeronave segue no nome do cantor enquanto o pagamento integral do bem não é concluído. Os sites de aposta investigados afirmam cumprir a legislação e dizem estar à disposição das autoridades. Já Deolane diz ser vítima de “grande injustiça” e sua defesa acrescenta tratar as questões legais com “seriedade e transparência”.
O que é e qual o objetivo da Operação Integration?
A 42ª Operação de Repressão Qualificada, denominada Integration, foi deflagrada em 2023 pela Polícia Civil de Pernambuco, com colaboração das polícias civis de São Paulo, Paraná, Paraíba e Goiás. A ação mira uma organização criminosa suspeita de envolvimento em jogos ilegais e lavagem de dinheiro. As autoridades dizem que entre os alvos estão grupos ligados às bets (sites de apostas esportivas), que são regulares, mas afirmam que o alvo da investigação são os jogos de azar online, atividades não permitidas pela lei.
Segundo o Ministério da Justiça, a organização usava várias empresas de eventos, publicidades, casas de câmbio e seguros para lavar dinheiro por meio de depósitos, transações bancárias e compra de veículos de luxo, aeronaves, embarcações, joias, relógio de luxo, além da aquisição de centenas de imóveis.
A investigação começou com uma apreensão de R$ 180 mil e foi dividida em três fases: aquisição, ocultação e integração do dinheiro ao patrimônio dos envolvidos – esta última é a que ocorre agora e motivou a prisão de Deolane e do avião em nome de Gusttavo Lima.
Quem foi preso?
A operação cumpre 19 mandados de prisão. Entre eles, está a influenciadora digital Deolane Bezerra, de 36 anos. Segundo a irmã da influencer, a mãe delas também foi presa. Não foi divulgada a ligação delas com os crimes investigados. A polícia não divulgou nome de outras pessoas investigadas. Até o fim da manhã de hoje, havia um foragido.
Quais bens foram apreendidos?
A investigação identificou movimentação financeira atípica de pessoas físicas e jurídicas, incompatíveis com a declaração de bens, conforme o ministério. São 24 mandados de busca e apreensão domiciliar, sequestro de bens (carros de luxo, imóveis, aeronaves e embarcações) e dinheiro. Também foram bloqueados ativos financeiros no valor de R$ 2,1 bilhões.
Dentre os bens, foi apreendido em Jundiaí, no interior paulista, o avião que foi vendido pela empresa do cantor Gusttavo Lima para a JMJ participações, cujo proprietário é José André da Rocha Neto, mesmo dono da casa de apostas VaideBet, que é investigada pela operação. A aeronave ainda está no nome da empresa do artista sertanejo enquanto o pagamento não é concluído pela compradora, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Foram adotadas ainda medidas de entrega de passaporte, suspensão do porte de arma de fogo e cancelamento do registro de arma de fogo.
Quais empresas estão sendo investigadas?
As casas de aposta VaideBet e Esportes de Sorte estão sendo investigadas na operação. A polícia não informou se há outras empresas.
Há relação de Gusttavo Lima com os crimes investigados?
Não há denúncia contra Gusttavo Lima e a assessoria do artista afirma que o avião apreendido não é mais dele, constando como proprietário apenas “no papel”, já que a aeronave foi vendida para uma empresa do dono da VaideBet. O cantor é patrocinador oficial e garoto propaganda da VaideBet.
O que dizem os investigados?
O escritório Adelia Soares Advogados, que representa Deolane e a mãe, diz ter “plena confiança na Justiça e permanece à disposição para colabora com as autoridades competentes, de modo a esclarecer todos os fatos”.
“Até o momento, o que nós e advogados sabemos sobre isso é que um processo relacionado à empresa Esportes da Sorte. Ainda não sabemos o real motivo disso, mas sabemos que é uma empresa que atua em todo o Brasil com diversos influenciadores, com diversas emissoras de televisão e até onde sei é uma empresa idônea”, afirmou Dayanne Bezerra, irmã de Deolane.
A Esportes da Sorte disse que ainda não teve acesso à decisão judicial que autorizou busca e apreensão em sua sede, em Recife. O site disse ainda que suas atividades cumprem as leis e afirmou estar à disposição das autoridades.
A empresa diz que, desde março de 2023, “tem prestado todos os esclarecimentos necessários nos autos do inquérito policial em curso, através de diversas petições e documentos apresentados” pela defesa. Afirmou ainda que suas atividades de aposta de cotas fixas cumprem “rigorosamente” as Lei n.º 13.756/2018 e14 790/2023, “com excelência jurídico-regulatória, acompanhamento de auditoria independente e sistema de compliance”.
Segundo o site, houve “interpretação precipitada e equivocada dos fatos apurados, sem qualquer análise ou consideração dos argumentos já apresentados”. Tanto é assim, prossegue “que a autoridade policial não apreendeu qualquer objeto, documento ou equipamento na sede da empresa”.
Já a VaideBet afirmou que acompanha a operação da Polícia Civil e que se colocará plenamente à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos que forem solicitados quanto à atuação da empresa e de seus sócios.
“A marca, no entanto, ressalta que recebeu com surpresa o cumprimento do mandado de busca e apreensão realizado nesta quarta-feira, uma vez que desde o ano passado se prontificou em contribuir com as investigações, tendo previamente indicado os endereços e contatos pertinentes”, informou, em nota.
“As atividades da empresa até aqui são pautadas pelo estrito cumprimento da legislação vigente e já estão adequadas à regulação do setor para 2025. Ainda no mês de agosto, o Grupo BPX, empresa detentora da marca VaideBet, deu entrada no requerimento da licença junto ao governo federal para obtenção da outorga para atuação regularizada no Brasil a partir do início do próximo ano”, acrescentou.
*Com informações do Estadão Conteúdo Publicado por Fernando Keller
Uma plataforma digital criada pelo Banco do Brasil (BB) está ajudando prefeituras a reduzir o desperdício de alimentos em escolas públicas. Chamada de BB Alimentação Escolar, a solução usa tecnologia para melhorar o planejamento e o controle da merenda oferecida a estudantes da rede pública.
Desenvolvida em parceria com a Lemobs, empresa que integra o Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a plataforma reúne informações sobre consumo, aceitação das refeições e desperdício. Com base nesses dados, gestores conseguem ajustar cardápios, quantidades e compras, evitando excessos e melhorando a qualidade da alimentação.
O sistema também traz painéis de acompanhamento e ferramentas que auxiliam na tomada de decisão, tornando a gestão mais eficiente e transparente.
Resultados iniciais
Os primeiros testes foram feitos em 15 municípios. Em Belém, onde a solução começou em cinco escolas, os resultados apareceram em poucos meses:
72% menos desperdício de alimentos;
7 toneladas de comida preservadas;
cerca de 25 mil refeições aproveitadas;
economia de aproximadamente R$ 200 mil;
redução de 10 toneladas de emissão de carbono;
2,4 mil alunos beneficiados;
88% de aprovação das refeições.
Impacto nas contas públicas
O planejamento mais preciso evita compras desnecessárias e reduz perdas, gerando economia. Dessa forma, os recursos públicos são utilizados de forma mais eficiente.
A expectativa é que, se adotada em toda a rede de ensino de Belém, a ferramenta possa evitar o desperdício de cerca de 220 toneladas de alimentos por ano e gerar economia superior a R$ 1,2 milhão, beneficiando milhares de estudantes.
Expansão e importância
A solução já está sendo utilizada em outras cidades, como Natal e Valparaíso de Goiás, o que mostra o potencial de expansão para diferentes regiões do país.
Alinhada ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, a iniciativa busca melhorar a qualidade da merenda, reduzir desperdícios e fortalecer a gestão pública, combinando tecnologia, economia e impacto social positivo.
Lemobs
A Lemobs é uma empresa brasileira de tecnologia que desenvolve soluções digitais para ajudar governos, principalmente prefeituras, a melhorar a gestão pública. A empresa faz parte do ecossistema de inovação do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Criada com foco em desenvolver tecnologias para “cidades inteligentes”, a empresa atua para modernizar administrações locais, desde a coleta de lixo até a alimentação escolar.
Professores, pais de alunos, sindicatos e parlamentares fizeram neste sábado (18), na capital paulista, um ato contra a utilização de uma escola infantil municipal como cenário para a produção de um filme. A obra, da produtora Brasil Paralelo, difama a educação pública e o educador Paulo Freire, patrono da Educação Brasileira.
A manifestação, uma aula pública, ocorreu na Praça Roosevelt, em frente à Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Patrícia Galvão (Pagu), onde a produtora gravou imagens para o filme Pedagogia do Abandono, ainda não lançado.
A produtora produz conteúdo para a extrema-direita e já teve parte de seus colaboradores tornados réus em razão da produção de outro filme, A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha. A Justiça do Ceará aceitou denúncia do Ministério Público do estado e tornou dois colaboradores da produtora réus por suspeita de participação em uma campanha de ódio contra Maria da Penha, símbolo da luta contra a violência doméstica.
“A gente está aqui para dizer que Paulo Freire está presente. Ele está presente nas nossas escolas, nos nossos pensamentos, nos nossos estudos, e não só na EMEI Patrícia Galvão. Ele está presente na cidade toda, no Brasil a fora e fora do Brasil inclusive”, disse a diretora da Emei Patrícia Galvão, Sandra Regina Bouças.
Sandra não deu entrevista à imprensa, mas, em uma carta publicada em suas redes sociais, questionou a produção que utilizou imagens internas da escola. As gravações foram autorizadas pela prefeitura de São Paulo.
“Identificamos que se trata de um projeto para destruir a educação pública, bem como a imagem de Paulo Freire com identificações muito equivocadas. Será que há, nesta proposição, uma tentativa de contribuir com as ideias de que a terceirização/privatização da Educação Infantil seria a solução para uma educação de qualidade?”.
Na carta, a diretora afirma que soube apenas na véspera das gravações que a produtora seria a Brasil Paralelo. “Na noite anterior à data marcada para a agravação, fomos surpreendidas por um termo de anuência em nome da Brasil Paralelo”, contou.”Era a produtora responsável por vídeos de caráter marcadamente ideológico, em que diversas produções têm por objetivo descaracterizar e objetificar o ensino público pejorativamente”, completou.
A professora da Faculdade de Educação da USP (FEUSP) e educadora popular Denise Carreira afirmou que a produção pretende enfraquecer políticas públicas de cunho social e racial e a agenda de gênero.
““Precisamos estar atentas contra esse absurdo. E defender a escola democrática, a escola que promova uma educação transformadora baseada no pensamento, na trajetória, na ação de Paulo Freire”, acrescentou.
Eduarda Lins, mãe de uma das alunas da escola, fez elogios aos funcionários e criticou a produtora e a prefeitura. “Quando a gente descobre que a nossa prefeitura está disponibilizando um espaço público para uma empresa privada com fins, no mínimo, obscuros, que inclusive está sendo investigada pelo MP, dói no nosso coração”, disse.
Outro lado
A Spcine informou que recebeu o pedido para gravação e, após análise técnica da SP Film Commission, responsável por receber, processar e encaminhar pedidos de filmagem, autorizou as gravações.
“O procedimento é padrão e foi o mesmo adotado em todas as outras 253 solicitações feitas ao município para essa finalidade até o momento em 2026. Somente no ano passado, foram autorizadas mais de mil gravações”, informou o órgão em nota. A Spcine ressaltou, ainda que a checagem de aspectos legais, como uso de imagem e participação de menores, é de inteira responsabilidade dos produtores.
A Agência Brasil procurou a produtora Brasil Paralelo, mas ainda não recebeu resposta.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) anunciou que publicará ainda em abril a chamada pública do novo Programa de Capacitação Institucional (PCI), modalidade de bolsas direcionada a pesquisadores das 16 unidades de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O ciclo da chamada será de 4 anos, com previsão de R$ 120 milhões oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
A reestruturação do PCI inclui um reajuste médio de 30%, elevando o piso para ao menos R$ 4 mil. A mudança mais importante está na forma de concorrência: as edições anteriores vinculavam as bolsas às instituições, que as distribuíam internamente. Essa edição prevê um regime de ampla concorrência baseado em projetos, que serão propostos pelos servidores e poderão receber até R$ 1,5 milhão, sendo até 10% deste valor para custeio, como material de consumo, serviços de terceiros, passagens e diárias.
Para este ciclo, uma mesma instituição passa a poder abrigar vários projetos de pesquisa simultâneos, submetidos por proponentes distintos e validados institucionalmente.
O processo de prestação de contas será anual. Os bolsistas passarão a ter, ainda, permissão explícita para atuar em empresas de base tecnológica (startups) instaladas em ambientes de inovação, como incubadoras e parques tecnológicos.
Historicamente o programa contempla desde o nível técnico até o de pós-doutorado e é responsável por agregar recursos humanos temporários às instituições.
O CNPq irá realizar um webinário explicativo para tirar dúvidas sobre as novas regras e o preenchimento de propostas na Plataforma Integrada Carlos Chagas, após o lançamento do edital.